domingo, 12 de junho de 2011

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Um namorado
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Lêda Yara
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Quando eu me enamorar,
Há de ser amor bonito:
Sonhando a dois, partilhar
Um bem-querer infinito.
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Quero quem me faça afago
E a quem eu possa afagar
Nos olhos, o toque de mago;
E que eu o namore no olhar.
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Que me inspire um doce amor,
Mas que saiba, com ardor,
Tomar meu corpo e amar.
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Bem querer que não fenece
Daqueles que não se esquece
Mesmo que depois se vá.

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(Arapiraca - Alagoas - Brasil)

domingo, 29 de maio de 2011

Poetas alagoanos quase esquecidos (8)

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Você
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Jayme de Altavila
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Você resume tudo o que sonhei na vida:
Glória, beleza, amor, domínio, perfeição.
Tudo o que persegui numa doida corrida,
Tudo que me fugiu ao alcance da mão.
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Quando vejo você, fico de alma florida,
Porque você é luz, é perfume, é ilusão.
Você é, para mim, a ideia mais querida
A quimera mais linda, a mais doce emoção.
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Você tem uma voz de canário cativo.
Você tem um sorriso encantador e um quê
De vaidade, no olhar eloquente e expressivo.
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E você, apesar de tudo isso, não vê,
Inda não compreende, ante o enlevo em que vivo,
Que o mundo, para mim, se resume em você.
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Canto Nativo
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Jayme de Altavila
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Quando eu morrer, você rasgue um pedaço deste céu
E faça dele a minha mortalha.
Quando eu morrer, você cave um torrão de terra virgem
E faça dele o meu travesseiro.
Quando eu morrer, você arranque o Cruzeiro do Sul
E faça das estrelas meus círios.

Quando eu morrer,você asperja a água verde das Lagoas
Sobre os meus restos humanos
Quando eu morrer, você corte um ramo de pitangueiras
E cruze, sobre ele, as minhas mãos.
Quando eu morrer, você plante sobre a minha sepultura
uma palmeira Ouricuri.
Quando eu morrer, você reze nos meus ouvidos
A Sinfonia do Guarani.
Quando eu morrer, você encomende a minha alma nativa
A Rudá e a Tupã.
Quando eu morrer, você diga aos que perguntarem por mim
Que eu morri como nasci:
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Brasileiro.
Brasileiro.
Brasileiro.
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Jaime de Altavila, pseudônimo de Anphilóphio de Oliveira Melo (Maceió -AL 1895-1970), formado em Direito, novelista, cronista, poeta, ensaísta, historiador. Fundador da Academia Alagoana de Letras. Foi presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas por 14 anos e da AAL. Obras publicadas: Crepúsculo d’ouro e sangue (1915), Da vida e do sonho (1916), Diário de todos os amantes (1928), Canto nativo (1949), Últimas poesias (1968), Gênese e desenvolvimento da literatura alagoana (1922), História da civilização das Alagoas (1935) e Origem dos Direitos dos povos (1961), entre outras.

domingo, 15 de maio de 2011

Poetas alagoanos quase esquecidos (7)

VOCÊ
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Armando Wucherer
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Você é para mim o Céu distante
Que eu procuro, da terra, divisar...
Você é a minha noiva, a minha amante:
- Loira Princeza para o meu solar.
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Você – é o meu cuidado, a cada instante;
A sombra, que me segue ao caminhar;
O palinuro, que me diz: “avante”;
você é luz votiva em meu altar.
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Você – é o meu futuro; o meu passado,
Minha crença pagã pelo universo...
Você – é a minha culpa; o meu Pecado...
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Você – é o proprio amor que lhe prometo:
Você – é a rima rara de meu verso,
A “ chave de oiro “ deste meu soneto.
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Armando Goulart Wucherer (Maceió - AL 03/8/1896 - 11/6/1956 ) foi poeta, advogado e professor. Membro da Academia Alagoana de Letras, onde ocupou a cadeira 14. Escreveu livros sobre Direito, desempenhou várias funções públicas em Alagoas. Sua poesia, porém, merece destaque. O soneto acima foi transcrito do livro “Canto do meu destino” (1946). Deixou algumas obras indéditas.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Poema de Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva

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Resignação
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No mais pobre retraço de papel,
Como a uma mão suja se dá água
Escreverei o amor que tenho à vida.
Não direi nada de cruel;
Foi justa a mágoa
Dela havida.
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Direi apenas que essa carta

sem bico de ave ou selo posto
É como um anjo que se aparta
No seu angélico desgosto.
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Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Ilha Terceira Açores, 19 de dezembro de 1901 - Lisboa, 20 de fevereiro de 1978) - Foi poeta e intelectual português, de origem açoriana. (Transcrito do Blog do Noblat)

sábado, 30 de abril de 2011

Sonetos de Jucá Santos

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Filho ingrato
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Cheguei bem de mansinho e sorrateiro
Àquela casa onde deixei sozinha
A minha mãe, doente e já velhinha,
Para seguir por esse mundo inteiro.

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Cheguei. Ela dormia. Eu fui orar
Bem no beiral da cama onde essa santa
Repousava. E eu lhe disse: Mãe, levanta
E vem, seu filho ingrato, abençoar!

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Ela acordou, fitou seu pobre filho
E ao vê-lo soluçando, o olhar sem brilho,
Feliz, sorrindo, disse: Filho, pare!
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Eu quero apenas que você sorria...
Por isto, a Deus, eu peço todo dia
Que nunca mais o mundo nos separe!...
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Mesa de bar
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Confraternização de almas irmãs,
De sonhadores, místicos, boêmios.
Recanto bom onde a felicidade
Fixou residência e fez seu ninho.

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Aqui a face oculta se propaga
No álcool que se emana da bebida,
E tudo é riso... É sonho... é devaneio...
E todos se compreendem mutuamente.
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Mesa de bar é o aconchego amigo
Daqueles que procuram na poesia,
Um bom conforto para as suas mágoas.

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Mesa de bar és terna companheira
Daqueles que olvidando as suas dores
Vivem contigo as horas mais felizes.

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Os sonetos acima estão incluídos no livro "Breviário de Nice - Cem sonetos memoráveis de Jucá Santos", lançado no dia 27.04.2011, pelo poeta Cláudio Antonio Jucá Santos, presidente da Academia Maceioense de Letras.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Depoimento de Vera Romariz

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Crônica meio chata


. Vera Romariz .


Em novembro tive um diagnóstico de tumor neoplásico no seio: traduzindo, tratava-se de um câncer de mama. Nunca fumei, nunca bebi, não fiz reposição hormonal para (ironia das ironias) evitar o câncer, que chegou como um vendaval.


Ele veio; como um visitante inoportuno, instalou-se em minha casa um mês depois que fiz uma festa para amigos próximos, comemorando a alegria de ter alcançado (pensava eu) feliz e saudável os 60 anos. Entrou em meu cotidiano sem pedir licença, adiou sonhos, assustou o companheiro e comoveu os filhos que vieram de longe acompanhar minha luta ainda em curso.


Cultivei sempre a alegria e evitei olhar para a vida com lentes cinzentas; fui confiante, determinada e positiva em relação à maioria de minhas experiências. Gostava e gosto de brincar; julgo mesmo que o espírito artístico mantém um gosto de criança eterna em mim. Sorrir de mim mesma ou de situações sempre me fez bem; a alegria sempre foi uma segunda pele.


Se o espírito leve que existia em mim não evitou o sofrimento, ajudou a minimizá-lo; amada e bem protegida por ótimos médicos (Doutores Pedro Henrique, Patrícia Amorim e Gustavo Quintella), caminhei com bons apoios afetivos e profissionais, tentando entrever, em meio ao percurso doloroso, a estrela guia da Cura, sempre meio provisória.


O que aprendi nessa via crucis moderna? A consolidar a humildade, e a não esconder a verdade: o cansaço proveniente das sessões de químio me ensinou, a contragosto, a andar devagar, a pedir ajuda, a dizer claramente que tinha câncer, que estava em tratamento, quando precisava enfrentar uma fila inevitável. E recebi ajuda delicada e sensível de pessoas simples, que pegavam minhas compras, diziam palavras carinhosas, me encantavam. Os amigos foram mais que irmãos; os irmãos foram quase pais.


Julgo que o câncer me tornou uma pessoa melhor; mas, cá entre nós, que curso duríssimo! Mais duro que o vestibular de Medicina ou o meu doutorado. Agora, reinicio lentamente a fazer pequenos planos: ir a Salvador, cidade que amo e onde estão dois filhos e quatro netos; a Buenos Aires, talvez; à Europa, sempre que puder.


Enfim, aprendi que o câncer não arrancou de minha existência o que considero meu maior legado: a escrita, os meus afetos, e –enfim- eu mesma. Provisoriamente careca; a duras penas tentando voltar a ser feliz.
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VERA ROMARIZ nasceu em Maceió. É Doutora em Letras, professora e pesquisadora, neta do poeta penedense Sabino Romariz (1873-1913). Livros publicados: Quase Pássaro (1986), Campo Minado (1986), Amor aos Cinqüenta (2004) e Película (2008).
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(Reproduzida do Blog do Carlito Lima - http://carlitolimablog.blogspot.com/, com autorização da autora)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

II Festa Literária de Marechal Deodoro

Clique no link abaixo para acessar do blog da Flimar

quinta-feira, 24 de março de 2011

Poemas de Lys Carvalho

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Ausência
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Minha memória inunda-se de lembranças,
frias e cálida, do dia em que partistes.
As mãos acenando, num vaivém,
marcavam um adeus...
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A chuva, fina e fria,
molhava meus cabelos,
enquanto as lágrimas quentes
rolavam pela face.
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Que cruel manhã!
De nostalgia, meu coração,
em luto, amarga tua ausência.
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E... aquelas mãos, no vaivém,
eternizavam tua lembrança.
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Colar de saudades
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Não quero perpetuar minha solidão.
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Quero
dividir minhas dores,
dissabores e amarguras.
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Quero
que presente estejas,
para descortinares meu coração e,
uma a uma, contares
as pérolas da minha saudade.
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Chama
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Acendeste a chama
do meu coração,
sofrido e amargurado,
que não aceitava mais amar.
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Hoje,
sorri para o amor!
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Lys Carvalho (Lysette Alves Freire de Carvalho) nasceu no Rio de Janeiro. Bacharela em Administração de Empresas, artista plástica da Arte Naif e poeta. Alagoana de coração, reside em Maceió há 23 anos. Membro do Movimento da Palavra, participou da “Antologia” publicada com trabalhos de integrantes do grupo em 2009. Os poemas acima integram o livro "INTERLACE", lançado no dia 14.03.2011. A autora publicou anteriormente os livros "Falo do amor e da paixão" (2005) e "Retalhos de um coração" (2007).

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Poema de Lou Correia

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Dimensões
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Ser chuva fina,
atemporal,
molhar teu corpo inteiro...
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Ser sol quente,
entranhar-me na tua pele,
aquecer-te todo.
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Ser lua nova,cheia, minguante;
nas solitárias madrugadas,
em todas as fases,
acalentar teus sonhos...
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Ser estrela cintilante, guia,
para iluminar-te os passos,
nesta vida sofrida...
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Ser presença afetiva, marcante,
dimensionada pelo bem-querer;
habitar-te os pensamentos,
estar contigo, sempre!
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Postado no blog do "Movimento da Palavra" (http://movimentodapalavra.blogspot.com/)

sábado, 29 de janeiro de 2011

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Este blog recebeu, pela segunda vez (2009/2010), o Prêmio Notáveis da Cultura Alagoana, categoria "Comunicação", em concurso promovido pelo Blog do Carlito Lima. Um agradecimento especial aos leitores/eleitores que participaram da votação via inernete.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A marcha da história
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Murilo Mendes (*)

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Eu me encontrei no marco do horizonte
Onde as nuvens falam,
Onde os sonhos têm mãos e pés
E o mar é seduzido pelas sereias.
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Eu me encontrei onde o real é fábula,
Onde o sol recebe a luz da lua,
Onde a música é pão de todo dia
E a criança aconselha-se com as flores.
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Onde o homem e a mulher são um,
Onde espadas e granadas
Transformaram-se em charruas,
E onde se fundem verbo e ação.
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Murilo Monteiro Mendes nasceu no dia 13 de maio de 1901, em Juiz Fora, Minas Gerais e morreu em Lisboa, no dia 13 de agosto de 1975. (Enviado por Pachoal Savastano)

domingo, 26 de dezembro de 2010

Poema de Lêda Mello

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ANO VELHO, NOVO ANO
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Lêda Mello

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Ano Velho declinando,

longe não vejo os momentos
em que estive arrumando
as coisas e os sentimentos,
joio e trigo separando,
limpando compartimentos,
minha casa aprontando
Pra luz do seu nascimento
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Ano findando, eu pensei:

- O que, vivendo, aprendi?
Como foi que empreguei
o tempo que recebi?
Quanto joio arranquei
e quanto trigo eu colhi?
Quantos sonhos realizei,
e de quantos me desfiz?
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Despeço-me, agradecida,

do período que está findo,
por ajustar minha vida
pro ano que vem surgindo.
Esperança revivida
e novo alento sentindo,
alma canta em acolhida:
Ano Novo, és Bem-Vindo!
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(Arapiraca (AL) – Brasil)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Poetas alagoanos quase esquecidos (6)

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Se outra vida houver
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Georgette Mendonça
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Se outra vida houver
não quero ser água poluída.
Nem mar afogando rio.
Também não quero ser
fogo destruidor
- sarça ardente
incinerando estio.
Não quero ser
fruto nem semente.
Sequer
desejo ser flor.
Nem rosa. Nem margarida.
Se houver
outra vida
quero ser
a estrela menor
de uma galáxia qualquer.
Mesmo entre cosmos perdida.
Mesmo extraviada entre planetas.
Seja lá onde for!
Contanto possa escutar poetas
falando de amor.
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Georgette Silva de Oliveira Mendonça nasceu em Atalaia (AL), foi procuradora do antigo IAPAS, escreveu vários livros, dentre eles “Eu quero duas almas” (1948), premiado pela Academia Alagoas de Letras; “Retalhos” (1978); “Eunice Lavenère e seu cantar” (1978), biografia, premiada pela Academia Alagoana de Letras. Viajou muito e registrou suas impressões de viagem em vários livros.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Arnoldo Chagas e o "Agente Fancês"

Arnoldo e Zealberto durante lançamento do "Agente Francês"
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Depois de uma carreira vitoriosa no Rádio alagoano como noticiarista, narador esportivo e publicitário, Arnoldo Chagas revelou-se um empresário pioneiro com o lançamento do Consórcio Vulcão e do "BIP" (um aparelhinho eletrônico que servia para localização de pessoas, bem antes do surgimento do telefone celular)
Aposentado como Procurador de Justiça, Arnoldo não parou por aí, criou o site Varanda de Ipioca (http://www.varandadeipioca.com.br/) e acoplou a Rádio VarandaWEB, o "point" da boa música e da informação precisa. Inspirado na beleza da Praia de Ipioca, onde mora, revelou-se compositor musical, lançando um CD com 14 faixas primorosas, gravadas pelos cantores Neto e Leureny, que alcançou grande sucesso.
Como se não não bastasse, Arnoldo acrescentou mais um ítem à sua biografia de sucesso: estreou como romancista com o livro "O Agente Francês", uma história envolvendo mistério, espionagem, sexo, futebol e outros ingredientes picantes. O prefácio é do jornalista global Márcio Canuto, seu antigo companheiro de jornadas esportivas. O livro foi lançado dia 07 de dezembro na Nossa Livraria Editora (Farol).

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Espera sob teto urgente
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Cavalcanti Barros
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Fios de chuva,

cortina de cristais líquidos.
Composição cúmpliceda espera improvisada.
Biqueira antigafoi teto urgentepara ver passagem
da tua passagem.
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Passaram por mim os felizes:

os mendigos,
os ébrios,
os cães sem dono,
e os sem lar
(os sem patrimônio sentimental).
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Até a chuva passou, de leve,

indiferente.
De sob meu teto urgente,
só não vi passara tua passagem.
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Publicado no blog Movimento da Palavra (movimentodapalavra.blogspot.com)
Copyright © 2010 by Cavalcanti Barros All rights reserved.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sobre os poetas

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Às vezes, as palavras queimam. Abrem lumes de prata na negrura da impossibilidade de as dizer. São lua que se derrete no mar. Luz. Música.
Silêncio líquido.
Nasce, então, a poesia: poeira lírica do céu que a mão frágil do poeta semeia.
Ousadia, talvez.
O poeta tem palavras enredadas nos dedos: rosários de amores e desencantos, de medos e de esperanças. Com elas, adoça a vida, escreve o mundo e partilha imagens como quem conta um segredo.
O poeta tem beijos na voz. E desenha com eles mapas de sentidos num tempo que não conta. Azul. Divinamente azul. Tecidos com fios de luz, bordados com o arrepio que o vento acende nas paredes dos olhos.
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"Sobre os poetas", Graça Alves, publicado no “Jornal da Madeira”, edição de 16/11/2010, Funchal.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Estamos no caminho certo

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Poetas querem mais poesia na internet

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A internet atrai cada vez mais escritores e leitores de poesia, mas a poesia vista na rede ainda mantém os moldes tradicionais de verso e estrofe. Esse foi o tom do segundo Simpósio de Crítica de Poesia, organizado pelo Departamento de Teoria Literária e Literaturas da Universidade de Brasília, que atraiu jornalistas, professores, pesquisadores e poetas. Eles discutiram as inúmeras possibilidades de fazer poesia diante das tecnologias de mídia do século XXI. O simpósio fez parte da Semana Universitária e contou com a presença dos poetas Nicolas Behr e Luís Turiba.

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Fonte: http://www.planetauniversitario.com/

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Poetas alagoanos quase esquecidos (5)

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O Lírio
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Sabino Romariz (*)
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O lírio era uma flor imaculada,
Casta como um sorriso de Maria;
Flor de uma alvura tal que parecia
Ter sido feita de hóstia consagrada.
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Em Getsemâni, a face ensanguentada
Jesus tragava o cálix da agonia
e uma gota de sangue luzidia
Sobre um lírio caiu cristalizada.
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E nisto flor, sem mancha concebida,
foi-se tornando como que dorida
Tomando aquele tom violáceo, frouxo...
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E de como era outrora alvinitente
O lírio da Judeia, finalmente
Crepuscular ficou, tornou-se roxo.
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(*) Sabino Romariz (o velho) poeta, jornalista, professor e funcionário público, nasceu em Penedo (AL) em 15 de março de 1873 e faleceu na mesma cidade em 09 de maio de 1913. Do seu registro bibliográfico constam os livros Lama Sebacthani, Simoun, Toque d’Alva, Bibliário e Madalena, todos de poesia. É Patrono da Cadeira n. 15 da Academia Alagoana de Letras.

Poetas alagoanos quase esquecidos (4)

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Ilusão
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Tito de Barros
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Vivo de uma ilusão que me suplanta,
E o meu sentir ao mundo denuncia,
Pela sinceridade com que canta,
Buscando as portas de ouro da harmonia...
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Há, no seu todo, um resplendor de santa,
Com que meus pensamentos alumia,
E mais alto, meu canto ao céu levanta,
Na doce claridade do meu dia...
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Deus que me deste amor e sentimento,
E lira e canto, neste vau medonho,
Libertando-me ao negro sofrimento;
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Deus, cuja bondade os olhos ponho,
Não me afastes da musa o pensamento,
Não me despertes nunca deste sonho...
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Tito de Barros nasceu em Murici (AL) no dia 29 de setembro de 1878 e faleceu em 14 de junho de 1945. O soneto acima consta do livro “O poeta da Saudade – Tito de Barros – Vida e Obra”, escrito pelo poeta Diógenes Tenório Júnior (Edições Catavento, Maceió-AL, 2002).

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Poema de Lêda Yara Mello

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SEM RIMA
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Lêda Mello
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De tudo que encanta e anima
um amor feito obra-prima,
falta a fonte, que arrima,
da presença que aproxima
e da palavra que exprima
sentimento que sublima
e alimenta o amor, a estima.
Falta até mesmo uma rima
pra saudade que restou.

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Lêda Yara Mello - Arapiraca - Alagoas

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Derinha Rocha em vídeo especial

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Valderes (Derinha) de Barros Rocha gravou e editou este vídeo utilizando sua própria imagem e trilha musical composta por Luiz Alberto Machado, arranjo & cordas por seu irmão Jarbinhas Rocha.
Derinha faleceu no sábado (16.10.2010), deixando imensa saudade. Ela é filha da querida amiga Valderez de Barros, poeta, fundadora do "Movimento da Palavra".
Como escreveu Lou Correia: "Que a linda 'Flor de Miosótis', do jardim dos meus afetos queridos, perfume e floresça doravante, nos jardins da eternidade!"

Clique no link abaixo e assista ao vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=lTvTBWlQgQA

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

MAR ABERTO
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Diógenes Tenório Júnior (*)
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Diante de ti, diante dessa imagem
Que o teu retrato traz para bem perto,
Meu coração se torna um mar aberto
Onde o navio dos meus sonhos faz viagem.
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Olho em volta e diviso a paisagem:
Ondas revoltas, pedras, rumo incerto.
E um marujo novato, boquiaberto,
Vencendo o medo em busca de coragem.
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Minha alma se faz um oceano
Onde, à deriva de mim mesmo, clamo
Pelo que apenas tu podes me dar:
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Uma praia tranquila e bem serena,
Que me convença de que vale a pena
Correr todos os riscos p’ra te amar.
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(*)
Diógenes Tenório Júnior é um dos melhores poetas alagoanos. Nascido em Murici, é autor de quatro livros: Murici, Clamor das Pedras, Mar sem Porto e O poeta da saudade: Tito de Barros – Vida e Obra, no qual reverencia a memória de um dos maiores poetas alagoanos. Diógenes Tenório é Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, da Academia Alagoana de Letras.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

CACOS INCONEXOS

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“Cacos inconexos”, do poeta Ricardo Cabús, foi lançado neta segunda-feira, dia 27, no Engenho Massayó, com a presença de escritores, poetas, colegas arquitetos, alunos e amigos do autor.

Sobre o poeta e sua obra escreveu Arriete Vilela: “A poesia de Ricardo Cabús é inteligente, inquietante e ardilosa; tem-se a impressão de que se preparam, a cada verso, armadilhas polissêmicas, tantas são as ambiguidades do sentido, ou melhor, as significações simbólicas”.

Vera Romariz disse que a poesia de Cabús “parece reiterar, no âmago da experiência verbal, o difícil encontro da face romântica na liberação da modernidade poética”.

Ricardo Carvalho Cabus é maceioense, com doutorado em arquitetura em Londres, professor da UFAL, e criador do Projeto Papel no Varal e do Instituto Lumeeiro (http://www.lumeeiro.org/).

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Bibia Apaixonada...

Anna Beatriz
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AMOR
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Amor vem sem rumo,
Amor vem sem direção,
Amor vem com carinho,
E vem cheio de emoção.
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Ele é tão lindo,
Bate sem querer,
Bate sem culpa,
Mas faz a gente tremer.
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Nos apaixonamos
Quando gostamos de alguém,
Essa pessoa pode ser tão bonita
Que não há como esquecer.
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Anna Beatriz Barros Costa de Oliveira, 10 anos, aluna da "Escola O Patinho Feio", estreia na poesia abrindo seu coraçãozinho e falando de amor como gente grande. Coincidentemente, ela é neta deste blogueiro.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Poetas alagoanos quase esquecidos (3)

Guedes de Miranda
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Antes que desça a noite
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Guedes de Miranda
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Antes que desça a noite,
O sol se pondo,
Contemplo em paz o fim da minha tarde.
Recordo o que fui – vencendo o tempo
Percebo o que sou – pelo tempo vencido.
Lutei, sofri, amei – vivi
E, com certeza, morrerei.
A ninguém, neste mundo, posso dizer
Fiz mal.
Quando a noite ontológica, implacável, descer,
Que restará de mim?
– Estes pobres poemas largados à toa:
Minh’alma dançando a valsa das sombras
E palavras, palavras...
E o fim, nada mais.
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Ciúme
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Guedes de Miranda
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A tua sombra procurou-me aflita
e me disse em pranto:
– Tenho ciúme de ti, amigo,
porque o meu corpo está fugindo de mim
para ficar contigo.
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Antônio Guedes de Miranda nasceu em Porto Calvo em 16 de maio de 1886. Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Pernambuco. Ao regressar a Alagoas, consagrou-se como um grande tribuno. Foi professor da velha Faculdade de Direito de Alagoas, Interventor e Vice Governador de Alagoas. Além de advogado, foi jornalista e brilhante poeta. Deixou os livros Exaltação à terra e sua gente, Antes que desça a noite e Eu e o Tempo. Faleceu em 1º de agosto de 1961, em Maceió. (Colaboração de Arlene Miranda)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010


Parece que Deus resolveu reforçar os estudos folclóricos celestiais. Quase de uma só vez , chamou a Mestra Hilda, para organizar um novo grupo de Coco como o seu "Pagode Comigo Ninguém Pode", que tanto sucesso fez entre nós, e o pesquisador Luiz Gonzaga Barroso Filho. A charge acima é do competente Enio Lins, da Gazeta de Alagoas, edição de hoje, dia 03/09/2010.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Homenagem a Luiz Gonzaga Barroso Filho

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Poema do Tempo (*)
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Luiz Gonzaga Barroso Filho
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Se alguém me perguntar agora
como foi o início de tudo,
responderei: francamente não sei!
Sei que um dia surgiu a vida
e, depois de longo momento,
surgiu o homem
e tudo passou a acontecer.
Hoje, com o homem, as ciências
a serviço do bem e do mal;
hoje, com o homem, as máquinas
a serviço da vida e da morte.
Se me perguntaem agora
o que irá acontecer amanhã.
Responderei: francamente, não sei!
Sei que existirá um Deus, eternamente.
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(*) Luiz Gonzaga Barroso Filho, 64 anos, advogado, escritor, poeta, pesquisador, membro da Academia Maceioense de Letras, da Associação Alagoana de Imprensa e da Comissão Estadual de Folclore, faleceu na madrugada desta quinta-feira, 02 de setembro, na Santa Casa de Maceió.
Barroso tinha acabado de publicar dois livros – Poema do Tempo e Panorama da Cultura Popular em Alagoas – pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Avesso a lançamentos, cuidava pessoalmente do oferecimento dos livros aos seus amigos, quando se sentiu mal. Hospitalizado na sexta-feira (27 de agosto), permaneceu na UTI até a madrugada de hoje. Uma grande perda.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

As irmãs Tainah e Thamires em foto da época (2007)
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Como é bom ter uma irmã
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Tainah Barros Costa de Melo (*)
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Minha irmã é companheira
com ela me sinto bem
penso como seria ruim
a vida de quem não tem.
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O nome dela é Thamires,
e o apelido é “Cupim”,
pois mexe em tudo que vê
e sempre sobra pra mim.
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Ela é muito brincalhona,
gosta muito de dançar,
veste as blusas da mamãe
e começa a desfilar.
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Gosta muito do “Patinho”
paquera seus coleguinhas,
conta muitas novidades
e algumas mentirinhas.
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Essa é minha irmãzinha
a menina que tanto amo.
Não me imagino sem ela,
sem essa garota sapeca
e muito tagarela.
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(*) Este poema foi escrito quando a autora, aos 10 anos de idade, era aluna da "Escola O Patinho Feio". O poema integrou a coletânea “Nossas poesias”, organizada pela Escola, contendo trabalhos dos alunos da 4a. Série, publicada em 2007, em edição restrita.
As duas, por uma grande coincidência, são netas deste blogueiro corujão.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Poesia de Cavalcanti Barros

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Poeta Cavalcanti Barros retratado pelo artista Dydha Lyra.

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Eu sou a vida

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Cavalcanti Barros
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Não se enganem, sou a Vida.
Magicamente contida
num corpo que Deus me deu.
Tudo simples, sem mistério:
corpo morre. Cemitério.
Vida não morre. Sou eu.

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Filosofando
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Cavalcanti Barros
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Procurei. (Inda procuro).
Em dado momento achei.
Mas, inibido, inseguro,
o que achei não segurei.

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(Publicado pelo blog Movimento da Palavra (http://movimentodapalavra.blogspot.com/ )

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Um poema de Solange Lages

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Desejos verbais
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Solange Berard Lages Chalita
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Quisera indisciplinar-se
Contra a sintaxe
E já pela manhã colher
Frases frescas
Feitas com sobras de orvalho
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Nessas terras tórridas
Onde até o Amor estorrica
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Quisera amolecer-se e render-se à verdura
Certa vez sonhada
Para povoar a linguagem
De símbolos renovados
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(Do livro "Canto Mínimo", Ed. Grupo Editorial Scortecci - São Paulo - 2008)