segunda-feira, 28 de junho de 2010

"FRANZINO" na praça.

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O "Franzino", editado pelo artista plástico e cartunista Hércules Mendes, está circulando na praça, isto é, na caixa postal dos amigos. Esta é a edição de nº 38.

domingo, 20 de junho de 2010

Poema de Saramago

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Espaço curvo e finito
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José Saramago
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Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças e ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe, um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.

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(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O mundo perde Saramago

Escritor José Saramago
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Morreu nesta sexta-feira (18) em Lanzarote (Ilhas Canárias, na Espanha) o escritor português José Saramago, aos 87 anos. Em 1998, ele ganhou o único Prêmio Nobel da Literatura em língua portuguesa. Saramago morreu em consequência de uma múltipla falha orgânica, depois de prolongada doença.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cordel em parceria

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"Peleja de baiana arretada contra alagoano medroso", cordel lançado em Salvador(BA), pela cordelista Creusa Meira, escrito em parceria com este blogueiro (Zealberto). A ilustração é uma autêntica xilogravura do artista Luiz Natividade, tal como usavam os tradicionais cordelistas nordestinos. Setilhas, Décimas, Martelo Alagoano e Galope a Beira Mar foram utilizados pelos poetas no desenrolar da peleja.

sábado, 15 de maio de 2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Poetas alagoanas quase esquecidas (2)

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Boêmia
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Rosália Sandoval

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Chorava, quando os lírios lhe puseram
nas mãos minosas como dois arminhos

o perfume que nunca elas tiveram
nesta senda formada por espinhos.
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Traz na tristeza as mágoas que lhe deram.
Na blusa clara, dois remendozinhos
ocultando a maldade que fizeram
as travessas roseiras dos caminhos.
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Uns tons de rosa pela face linda...
No azul dos olhos, a ternura infinda
dum brasileiro céu primaveril.
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Porém nas roupas... que pobreza imensa!
E na alma triste a lúrida sentença
de realizar esse destino hostil.
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Rosália Sandoval, pseudônimo adotado por Rita de Sousa Abreu (1876-1956). Nascida em Maceió - Alagoas, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde faleceu, aos 80 anos, na Estação São Francisco Xavier, em 1956. Alguns dos seus livros publicados: Através da Infância (1918) Quando as Roseiras Floriram (versos) Cingo (poemeto) e volume de traduções de Poetas Americanos. Era irmã do poeta Sebastião Abreu, um dos fundadores e patronos da Academia Alagoana de Letras.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Um poema muito antigo

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Poema
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José Alberto Costa
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Um elefante branquinho,

feito das armas de outro,
vive indefeso, quieto,
sobre a mesa do meu quarto
onde costumo escrever.
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Em sua sólida mudez
conhece todo meu drama:
- chora comigo nas noites
de vigílias forçadas
quando rostos ressuscitam
pelas campas da memória
trazendo horror ao vazio
que há no quarto e em mim...
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(Maceió, 02/09/1960)

Joia da Poesia de Cordel

Afonso Pequeno é poeta de São José do Egito -PE. Esta pérola da poesia popular foi garimpada por Lou Correia em suas andanças por aquele berço de iluminados improvisadores, terra de seus ancestrais.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Casa do Patrimônio de Maceió

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Antigo armazém do bairro do Jaraguá, construído no início do século passado para estocagem de açúcar, está sendo recuperado com verba do Ministério da Cultura e vai se transformar na “Casa do Patrimônio de Maceió e na sede da superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Alagoas.
O novo equipamento oferecerá opções de lazer e cultura à população, tais como: museu, biblioteca especializada, palestras, seminários e outras atividades. Grande Iniciativa.
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(Fonte: "Portal Tudo na Hora")

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Poema de Luiz Gonzaga Leão

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Preparação da manhã.
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Gonzaga Leão
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É duro dizer, criança
filho do triste operário
do sofrido camponês
que em vez dos belos brinquedos
que te fariam feliz,
dar-te-ei canhões fuzis
e a noite feita de medo;
contar-te-ei em segredo
(não histórias pra dormir)
que neste imenso país
somente o rico é feliz
só o rico tem porvir;
e contar-te-ei também
que o pão que falta em teu prato
sobra no prato de alguém;
que tua roupa nenhuma
não mais serve a quem a tem.
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Mas direi no entanto a ti
(rudemente enquanto falo)
que nessa estrada de agora
não muito distante a aurora
já avia seus cavalos
com seu jaezes de fogo
e ardentes ferros nos cascos
com sua fonte de sol
a celebrar-se nos olhos,
que deixarão claridades
de manhãs onde passarem:
- e não haverá mais sede
boca não dessendentada
rios que não tenham ponte
de paz e fraternidade.
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E no chão de todo o mundo
transformado em bem comum
rebentarão as sementes
e o pão será permanente
na mesa de qualquer um.
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Maceió/Alagoas - Fevereiro de 1963.

sábado, 10 de abril de 2010

Um soneto de Christiano Nunes Fernandes

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O aquário no peixe

Christiano Fernandes
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Eu vivo submerso em meus sentidos
como se fosse um peixe sem aquário.
E por detrás dos vidros dos meus olhos
não vejo nada mais além do que
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as poucas águas que me foram dadas
nesse pequeno mundo que imagino
ser tudo, com essas algas pobres e um
veleiro naufragado de propósito
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para iludir-me e me deixar contente
por vezes, entretanto, no silêncio
das águas que me envolvem, lá no fundo
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me ponho a imaginar que deve haver
um mar deslimitado de horizontes
além dos meus sentidos, felizmente.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Homenagem a São José em "Martelo Alagoano"

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Hoje o dia chegou muito chuvoso
dia bom pra plantar milho e feijão
com as bênçãos do santo do sertão
São José, carpinteiro habilidoso,
um bom Pai, um amigo cuidadoso
não despreza seu povo soberano
sofredor que trabalha todo ano
na lavoura, com força e muita fé,
quando chove agradece a São José
Nos dez pés do Martelo Alagoano.
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(Zealberto Costa - Maceió-AL/19/03/2010)
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Este é um tipo de repente nordestino, cantado pelos violeiros, que obedece às regras do martelo, só que o último verso acaba sempre com a expressão "martelo alagoano".

segunda-feira, 15 de março de 2010

Poetas alagoanas quase esquecidas (1)

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Tuas mãos
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Creusa Chaves (*)
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São duas conchas róseas de ternura,
Onde as minhas repousam docemente,
São dois poemas de esplêndida candura
Que guardo para mim avaramente!
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Dois lírios, dois presentes da Natura,
Dois ninhos de carícia irresistente,
Ao vê-las sinto no meu ser ventura,
E um mundo, ao afagá-las, diferente...
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Tuas mãos – duas trêfegas crianças
que brincam de beijar a mamãezinha,
E de puxar joviais as suas tranças...
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Tuas mãos – lago azul dos meus amores,
Que à tona, qual uma ávida andorinha
Vou beber água e vou cantar louvores.
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(*) Creusa Chaves, alagoana de Maceió, faleceu em Recife-PE. Era casada com o poeta Geraldino Brasil, também falecido.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Carlito em Portugal

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O escritor alagoano Carlito Lima lançou seus livros em Portugal com apoio da Casa da América Latina, nos dias 1º e 3 de março, com grande sucesso. Na foto, Carlito (c) apresenta "Confissões de um Capitão", na Livraria Ler Devagar, em Lisboa.
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IRMÃ DOROTHY
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Padre Célio Amaro (*)
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Voz feminina misturada às coisas da terra.
Esforço para falar a linguagem de cada gente.
Trilhas, milhas de histórias
Na trajetória o peso da religião, da igreja e da instituição.
Na bagagem, a profecia de vencer pra partilhar.
Partilhar rompendo cercas e divisas.
Multiplicando as mãos que tocam a terra.
Sonho trazido de outro continente,
Misturado aos sonhos das gentes de cá.
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De repente, ouve-se um som diferente.
Não é de enxada, foice ou facão.
Nem tão pouco de pássaros,
Ou de crianças brincando...
O som se repete uma, duas... várias vezes.

O fruto se rompe.
Na terra um corpo humano, feminino,estirado, perfurado.
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Em poucos instantes já está sendo velado.
Velado, vigiado pra preservar a memória.
Sepultado volta à terra:
causa das andanças, dos sonhos e da entrega.
Agora aconchego eterno.Voltou a ser semente...
Corpo sementeFruto rompido
Verdade afirmada.
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(*) Padre Célio Amaro é vigário paroquial em Luziânia /Go e aluno da Universidade de Brasília. (Enviado por Nivaldo Sales Cassiano)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Soneto de Lêda Mello

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CANÇÃO DO ENCONTRO
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Na orquestra da vida és o contraponto.
Onde a razão dá pauta à sinfonia
E o coração enfeita a harmonia,
Na doce e alegre canção do encontro.
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Que na tua mesa, felizes convivas
Não sintam riscos, sigam sem temor
De se irmanarem pelo teu amor,
Fonte de paz, um rio de águas vivas.
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Permite ao coração ser ponte e vida,
Traço de união, regaço e guarida,
Recanto de luz, onde o amor germina.
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Canta ao encontro um hino de louvor,
Faz de ti oferta, plena de amor,
Doce lembrança que nunca termina.

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(Arapiraca - Alagoas)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Carnaval" - trova de Zealberto

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Terminado o Carnaval

vão-se os amores banais,

tudo voltando ao normal

restam cinzas, nada mais.

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José Alberto Costa
(Maceió -AL - 17.02.2010)
Postado no blog "Movimento da Palavra".
movimentodapalavra.blogspot.com

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Homenagem à Miss Paripueira

Miss Paripueira
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Os organizadores do carnaval de Paripueira, no Litoral Norte de Alagoas, resolveram homenagear uma figura muito conhecida daquela região nos anos 60/70: Miss Paripueira, cujo nome de registro (se é que esse documento existiu) nunca soube ao certo. Dizia chamar-se Fulosina, Ambrosina, Aflosina ou outro nome qualquer e assim nunca descobri a verdade.
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A primeira vez que entrou lá em casa vinha fugindo dos “maloqueiros”, como ela dizia, que azucrinavam sua paciência, chamando-a de Sabiá ou Canela de Sabiá, coisa que detestava. Estava com fome, com sede e cansada da perigrinação habitual pelas ruas da então vila, agregadada ao município de Barra de Santo Antônio, pedindo um dinheirinho para sua sobrevivência e defendendo o seu reinado de Miss. Voltou lá várias vezes para tristeza dos meus filhos que morriam de medo dela.
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Baixinha, de idade indefenida, Miss Paripueira, andava com roupas extravagantes e enfeites berrantes, ofertados por pessoas que ela considerava de bom coração. Quando saía de casa, lá pras bandas da Rua das Velhas, chamava a atenção pelo colorido dos seus trajes oficiais. Procurava andar nos trinques para fazer frente a uma tal de Lulu da Barra que, invejosa, desejava usurpar-lhe a coroa e o título. Dizia que Lulu não sabia desfilar e nem dançar o carnaval. Somente ela, Miss Paripueira, conhecia o “passo da onça”, um estilo de dança com o qual pretendia desafiar a “olho grande” da Barra, para desmoralizá-la no meio da rua.
Lulu da Barra e os maloqueiros da rua eram seus maiores inimigos. Desses, nem a polícia cuidava. Da invejosa ela mesma cuidaria. Qualquer dia invadiria a Barra com seus amigos e defensores para dar uma sova de bunda limpa na tal Lulu e escorraçá-la da região, completamente avacalhada.
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Um dia os jornais noticiaram a morte de Miss Paripueira, vítima de atropelamento, no centro de Maceió. Todos sentiram, lamentaram a desdita daquela figura emblemática de Paripueira. Passado algum tempo, volto a encontrá-la em Maceió, vivinha da silva. Falou do acidente, achando que Lulu da Barra teria alguma coisa com aquele fato.
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Quando morreu de verdade só tomei conhecimento tempos depois, porque naquela época vivia afastado de Paripueira. Com os filhos na adolescência, que sempre apareciam com outros programas para finais de semana e a casinha praieira ia ficando desprezada.
Agora, tantos anos depois, leio a notícia do “Concurso de Fantasias Miss Paripueira”, estampada no blog “Pois É – um jornaleco de opiniões e picuinhas”, editado pelo competente amigo Pedro Cabral, trazendo ainda uma foto da homenageada que marcou época em Paripueira, enviada por Keyler Simões, que tomo a liberdade de reproduzir. O evento será no sábado de carnaval, na Casa de Cultura de Paripueira. Estarei lá com certeza. (JAC)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Poema de Larissa Perdigão

Larissa Perdigão (*)
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PASSOS DE ANJO
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Invadiu meu mundo com passos de anjo,
Fez do silencio noturno a mais doce sinfonia,
Despejou simpatia com olhar brilhante,
como estrela guia.
Era luz, pura luz, era dia.
E iluminou minh'alma já tão obscura.
Trouxe a cor da paixão que jazia.
Fez então de novo a vida.
Invadiu meu mundo com passos de anjo,
Fortes e precisos passos de anjo.
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(*) é psicóloga, mantém o blog “Em Guardanapos” (http://larissa-emguardanapos.blogspot.com/)
onde publica seus poemas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Homenagem familiar

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No último dia 29/01 nosso querido pai e avô José Alberto nos orgulhou com mais uma demonstração de seu conhecimento, dedicação e inteligência, quando teve seu blog escolhido como o melhor do ano de 2009. Para nós filhos e netos é um troféu ter um “veínho” tão sábio, atualizado e tão carinhoso. Eu como filha já o achava babão e extremamente presente em minha vida, mas ele conseguiu superar ainda mais estas características quando passou a ser avô, ele é o vovô conhecido por nós como a versão masculina da vovó Benta, do Sítio do Pica Pau Amarelo. Conta histórias, piadas, dá remédios, leva as netas ao colégio ou médicos, constrói contos, auxilia nas atividades escolares, cria músicas e poesias para cada uma delas e é chamado por elas de “dicionário ambulante”, pois tudo que elas precisam saber ele tem respostas e conhecimento para explicar, seja qual for o assunto, o que deixa todas muito vaidosas. Ass escolas sempre o convidam para dividir sua experiência com os demais colegas.
Sua grande fortaleza, claro, é a grande vovó Mirô que sempre deu espaço para que ele nos amasse e intermediasse todas essas relações. Sua bat-caverna é um quartinho com uma frase na porta: “Deus abençoe esta bagunça”. Lá ele se realiza e se encontra em meio a um acervo de tudo que possamos imaginar. É onde só ele consegue encontrar as coisas e manter sua bagunça organizada. Ai daquele que ameaçar entrar em seu espaço sem permissão, regra respeitada pelas suas netas, que só usufruem do espaço em sua presença.
Este homem guerreiro é um orgulho para nós e, por isso, nos faz querer ficar cada vez mais em sua presença.
Acima, as cinco netas privilegiadas pela presença dele em suas vidas. Cada uma carrega uma característica única deste grande homem.
Te amamos Papai! Te amamos Vovô!!!
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Beijos,

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Ana Paula, Carla, Beto (filhos) e as netinhas Analívia, Tainah, Beatriz, Thamires, e Bruna

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Poema de Hécules Mendes

Hércules Mendes
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Eis o Zé, o Zealberto,
Mente facetada e aberta
Produzindo arte
A arte da crônica
A arte do poema
A arte do Blog
E tantas outras artes
Inatas
A arte da amizade
A arte do companheirismo
A arte da lealdade
A arte da solidariedade
Eis o Zé
O Zealberto
Aberto/revelado/festejado
Não é um Zé qualquer
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Com um forte abraço
Hércules( o fraco ).

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HÉRCULES DE ALMEIDA MENDES é economista, artista plástico dos mais completos e, sobretudo, meu amigo. Muito obrigado e um abraço do mais fraco ainda.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Blog Premiado

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5º PRÊMIO ESPIA
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Este blog foi escolhido por votação popular o "Melhor blog do ano de 2009". No próximo dia 29, às 17 horas, o blogueiro titular, babando de felicidade, estará recebendo o certificado conferido pelos organizadores do 5º Prêmio Espia, em reunião na Praça Gogó da Ema, Ponta Verde, aqui em Maceió - Alagoas (em frente ao clube Alagoinha). No mérito, o prêmio pertence aos leitores de Alagoas, do Brasil e de quarenta e tantos países que acessam este espaço com regularidade. O Prêmio Espia nasceu da visão do genial Carlito Lima quando da editoração da sua Revista Eletrônica Espia, hoje transformada em
Blog do Carlito Lima.
Muito obrigado a todos pela escolha.
Espero em 2010 continuar com o apoio dessa legião de admiradores da boa poesia.
(Veja relação completa dos premiados no Blog de Carlito Lima - blogdocarlitolima.blogspot.com/)

Poema de Ledo Ivo

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Minha Pátria
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Ledo Ivo
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Minha pátria não é a língua portuguesa.
Nenhuma língua é a pátria.
Minha pátria é a terra mole e peganhenta onde nasci
e o vento que sopra em Maceió.
São os caranguejos que correm na lama dos mangues
e o oceano cujas ondas continuam molhando os meus pés quando [sonho.
Minha pátria são os morcegos suspensos no forro das igrejas [carcomidas,
os loucos que dançam ao entardecer no hospício junto ao mar,
e o céu encurvado pelas constelações.
Minha pátria são os apitos dos navios e o farol no alto da colina.
Minha pátria é a mão do mendigo na manhã radiosa.
São os estaleiros apodrecidos
e os cemitérios marinhos onde os meus ancestrais tuberculosos
e impaludados não param de tossir e tremer nas noites frias
e o cheiro de açúcar nos armazéns portuários
e as tainhas que se debatem nas redes dos pescadores
e as résteas de cebola enrodilhadas na treva
e a chuva que cai sobre os currais de peixe.
A língua de que me utilizo não é e nunca foi a minha pátria.
Nenhuma língua enganosa é a pátria.
Ela serve apenas para que eu celebre a minha grande e pobre pátria
muda, minha pátria disentérica e desdentada, sem gramática e sem [dicionário,
minha pátria sem língua e sem palavras.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Uma crônica de TAÍS BRAGA

A vida pede tempo
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Taís Braga (*)
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O fim do ano chegou e quase não houve tempo para realizar tudo o que planejamos. O que aconteceu com o tempo, que se tornou tão escasso ao longo dos anos? Lembro que, quando criança, o Natal demorava a chegar. Hoje, nos plantões da redação, o tempo se esvai. Na correria do dia a dia, não sentimos que ele está a passar. Às 16 horas já estamos pensando na edição do dia seguinte. Praticamente vivemos dois dias em um só. O segundo, por antecipação.
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Já ouvi alguém dizer que luxo, atualmente, é ter tempo para se fazer o que quer. Concordo, em parte. Luxo mesmo é ter tempo para não fazer nada. Nadinha. Tempo para ver, sentir, curtir o tempo passar. Acho mesmo que a falta de tempo é um dos grandes problemas da sociedade em que vivemos. Falta-nos tempo para viver. Já li, assisti e ouvi pessoalmente declarações de pessoas que decidiram mudar o ritmo da vida depois de sofrerem graves acidentes, risco de morte ou uma perda irreparável. E fico me indagando: se cada um de nós tiver que esperar um acontecimento semelhante para dar uma guinada na vida, quantas desgraças teremos que contabilizar?
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Já existe uma corrente de pensadores que defende o ócio como estilo de vida. Responda com sinceridade: você, em alguma ocasião, já se sentiu como um aluno que não fez a lição de casa ao tirar um dia de folga no meio da semana? Já se pilhou com a sensação de inutilidade por estar andando calmamente ou conversando amenidades? Por que nos cobramos o preenchimento total desse nosso tempo tão enxuto? Desde quando estabeleceram que falta de tempo é certificado de competência?
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Quantas coisas deixamos de fazer “por falta de tempo”? Aquela visita adiada, o abraço corrido, o beijo jogado na palma da mão, a oração que se perdeu na porta da igreja, o carinho não recebido, o assunto não finalizado? E o “eu te amo” que deixamos de dizer a um filho, mãe, pai, pessoa amada, ao amigo? Por falta de tempo. Falta de prioridade.
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Em 2010, vamos em busca do tempo. Vamos parar e ganhar tempo de vida. Todo o tempo que pudermos conquistar nesta vida. Ela nos foi dada. E, como bem disse o poeta. Só nos resta viver.

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Taís Braga é alagoana, jornalista e vive em Brasília (DF) onde trabalha no jornal “Correio Braziliense”. Esta crônica foi publicada originalmente na edição de 24.12.2009 daquele jornal. (Republicação autorizada)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ 2010

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Desejo pros meus amigos,
meus pacientes leitores,
um Ano Novo dos bons,
pertinho de seus amores,
saúde, fraternidade,
dinheiro e felicidade
bem longe dos seus credores.
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Zealberto 31.12.2009

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Um poema de Iremar Marinho

Canto-chão

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Desta matéria se faz poesia.
Desta areia, desta maresia
Faz-se o plano do meu canto-chão.
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Deste charco forjado de pânico
Brotam seres palavras que são
Pura estesia de mundo botânico.
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Desta terra nascem bois alados,
Planta bovina que alimenta arados,
Nesta seara-mundos divididos.
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Nesta vala homens são sulcados.
Desta horta são frutos caídos
De suas mesas fartas de ausência.


domingo, 20 de dezembro de 2009

Uma crônica de Vera Romariz

A TRADIÇÃO FEMININA DO NATAL

Vera Romariz (*)

A tradição natalina, não necessariamente a religiosa, mas a profana, cheia de festas e ritos de encontro, é muito feminina. Até rima! Drummond já dizia que as mulheres ficam belas em dezembro. Elas sorriem para os seus, conjunto amplo de pessoas que constituem um círculo familiar e de amizades, do cafezinho, da faculdade, da ginástica, da rua, da vida plena de um movimento quase autista que as mulheres possuem.

Um Natal só com homens seria um desastre. Quem adornaria as árvores? Quem congregaria pessoas? Quem procuraria adivinhar o gosto daquele filho adolescente, sempre chato, e sempre reivindicador? Quem faria as pazes entre pai e filhos, senão a mãe, forçosa e historicamente “mais compreensiva”, em virtude da quase absoluta falta de racionalidade e de tolerância dos homens para as relações humanas? Quem reataria, com dedos fortes, o esgarçado tecido familiar com filhos separados, noras magoadas e filhos perplexos?

No comércio, ou no shopping, sorridentes, elas compram “lembrancinhas” para o marido emburrado, para o filho rebelde, para o amigo bom e para o desafeto. Porque, afinal, “é natal”, diz ela, que bem sabe que, nessa época de cores e luzes inesperadas, nós nos concedemos uma espécie de liberdade condicional da chatice do cotidiano, às voltas com a crise econômica, assunto (orgasmo?) de todo homem que se preza.

Injustamente classificadas como gastadoras, as mulheres realizam a parte afetiva de cujos resultados todo homem gosta, seja, pai, avô ou bisavô. “Coisas de Vera”, diz meu marido, ou o seu. “Coisas de mulher”, diz um machista deliciado com o peru comprado na liquidação, com a mesa posta e bonita, com o jarro habilmente escondendo o desbotado da toalha de tantos anos atrás. Porque as mulheres são protéicas formas de viver o contraditório cotidiano de nosso tempo conturbado, às voltas com uma crise radical de valores humanos.

As pessoas, em nossa cidade, na minha infância, se encontravam nas portas da rua, fugindo do calor de dezembro; divertiam-se nos terraços, nas praças, nas ruas seguras da Maceió deliciosamente provinciana dos anos 50 e 60. As grades fecharam os terraços do Farol e da Ponta Verde; os portões eletrônicos substituíram os pequenos muros de alvenaria. Pouco a pouco, a cidade se fechou em copas e as mulheres passaram a encontrar-se na rua, no café, no barzinho da esquina, escondidas do olhar mais conservador. O Farol era uma alameda de iluminadas árvores piscando em verde e vermelho. Fecharam-se as casas; derrubaram uma face bonita de Maceió, meio brega, meio verde, onde as crianças se reconheciam.

Natais ameaçados por tantos planos econômicos malucos quase nos impediram de exercitar a tão feminina ginástica de compras. Mas como na letra da Nega Juju, do Farol à Ponta Grossa, a “folia é nossa”. E nos mercados de bairro, os carrinhos toscos continuam cheios; Théo (aleluia!) pagou cedo o décimo-terceiro, habilitando-nos a uma antecipação do décimo-quarto presentinho. Coisas de homem! Deixar-nos sofrer, até o último momento, para, então, magnânimo, conceder o indulto financeiro de Natal.

Mas perdoamos todos, até os que nos chamam de lineares, superficiais, gastadeiras; porque o abuso deles precisa dessa leveza protéica que possuímos, dessa generosidade de útero que aprendemos a conservar, desse sorriso-estandarte de uma força que nos ensinaram nossas mães e avós. Coisas de mulher. Coisas da melhor tradição feminina do Natal.

(*) Vera Romariz é Doutora em Letras, professora, poeta, pesquisadora. Neta do poeta penedense Sabino Romariz (1873-1913), nasceu em Maceió, é autora dos livros Quase Pássaro (1986), Campo Minado (1986). Amor aos Cinqüenta (2004) e Película (2008).

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Homenagem a RODRIGUES DE GOUVEIA

Rodrigues de Gouveia
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A morte do meu sonho

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Rodrigues de Gouveia (*)

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A morte do meu sonho foi tão triste!
Não teve velas, nem choro, nem nada.
Tão triste como a fria madrugada
Que à luz do dia em ficar persiste.
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Foi tão cruel a morte do meu sonho!
Sonho que morreu quase sem nascer.
Esperança vã que não quis viver
Nesse mundo sem luz e tão tristonho.
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Sonhar é viver, é sentir na vida
Outra vida de sonho e de ventura,
Que zomba da mais tétrica amargura
E alegra qualquer dor, por mais sentida.
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Por isso eu sinto tanto, tanto a morte
Que o meu sonho levou tão apressada
Pois a minh’alma irá assim, cansada,
Em busca d’outro sonho que a conforte.

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(*) José Rodrigues de Gouveia, jornalista, cronista e poeta, nascido e criado nas Alagoas, faleceu na última segunda-feira (07/12) na cidade de Fortaleza (CE), aos 81 anos, onde morava. Gouveia foi mestre de várias gerações de jornalistas, especialmente daqueles que iniciaram nas décadas de 50/60. Era fundador e presidente de Honra da Academia Maceioense de Letras.


sábado, 21 de novembro de 2009

Poema de Iremar Marinho

No Mar de Cuba
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(Para Freitas Neto, jornalista alagoano solidário, morto em acidente aéreo)
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Restos do naufrágio
são rosas partidas nas ondas,
grinaldas dos afogados
no líquido túmulo
dos sonhos afogados,
da vida arrebatada.
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Que barco fantasma pode salvar
a náufraga solidariedade,
o vôo interceptado?
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Que ilha posso alcançar,
como gaivota ferida?
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Só um cachorro do mar
vela os líquidos túmulos no Caribe,
com vagidos uivos latidos.
Sou eu só.

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Iremar Marinho, natural de União dos Palmares (AL), é jornalista profissional e advogado. Autor dos blogs "Café Central" e "Bestiário Alagoano".

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Poema de José Alberto Costa

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Vida reinventada
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A noite minh'alma percorre
o infinito espaço
das lembranças perdidas.
Enquanto durmo,
recolhe pedaços
dispersos de mim,
reinventando uma vida
de coisas esquecidas,
revolvendo escaninhos
de desejos contidos
repletos de sonhos
da adolescência
que deixei fugir.

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Poema integrante do livro "Movimento da Palavra - Antologia" (Nossa Livraria Editora, 2009)