quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Homenagem à Miss Paripueira

Miss Paripueira
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Os organizadores do carnaval de Paripueira, no Litoral Norte de Alagoas, resolveram homenagear uma figura muito conhecida daquela região nos anos 60/70: Miss Paripueira, cujo nome de registro (se é que esse documento existiu) nunca soube ao certo. Dizia chamar-se Fulosina, Ambrosina, Aflosina ou outro nome qualquer e assim nunca descobri a verdade.
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A primeira vez que entrou lá em casa vinha fugindo dos “maloqueiros”, como ela dizia, que azucrinavam sua paciência, chamando-a de Sabiá ou Canela de Sabiá, coisa que detestava. Estava com fome, com sede e cansada da perigrinação habitual pelas ruas da então vila, agregadada ao município de Barra de Santo Antônio, pedindo um dinheirinho para sua sobrevivência e defendendo o seu reinado de Miss. Voltou lá várias vezes para tristeza dos meus filhos que morriam de medo dela.
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Baixinha, de idade indefenida, Miss Paripueira, andava com roupas extravagantes e enfeites berrantes, ofertados por pessoas que ela considerava de bom coração. Quando saía de casa, lá pras bandas da Rua das Velhas, chamava a atenção pelo colorido dos seus trajes oficiais. Procurava andar nos trinques para fazer frente a uma tal de Lulu da Barra que, invejosa, desejava usurpar-lhe a coroa e o título. Dizia que Lulu não sabia desfilar e nem dançar o carnaval. Somente ela, Miss Paripueira, conhecia o “passo da onça”, um estilo de dança com o qual pretendia desafiar a “olho grande” da Barra, para desmoralizá-la no meio da rua.
Lulu da Barra e os maloqueiros da rua eram seus maiores inimigos. Desses, nem a polícia cuidava. Da invejosa ela mesma cuidaria. Qualquer dia invadiria a Barra com seus amigos e defensores para dar uma sova de bunda limpa na tal Lulu e escorraçá-la da região, completamente avacalhada.
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Um dia os jornais noticiaram a morte de Miss Paripueira, vítima de atropelamento, no centro de Maceió. Todos sentiram, lamentaram a desdita daquela figura emblemática de Paripueira. Passado algum tempo, volto a encontrá-la em Maceió, vivinha da silva. Falou do acidente, achando que Lulu da Barra teria alguma coisa com aquele fato.
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Quando morreu de verdade só tomei conhecimento tempos depois, porque naquela época vivia afastado de Paripueira. Com os filhos na adolescência, que sempre apareciam com outros programas para finais de semana e a casinha praieira ia ficando desprezada.
Agora, tantos anos depois, leio a notícia do “Concurso de Fantasias Miss Paripueira”, estampada no blog “Pois É – um jornaleco de opiniões e picuinhas”, editado pelo competente amigo Pedro Cabral, trazendo ainda uma foto da homenageada que marcou época em Paripueira, enviada por Keyler Simões, que tomo a liberdade de reproduzir. O evento será no sábado de carnaval, na Casa de Cultura de Paripueira. Estarei lá com certeza. (JAC)

2 comentários:

ana disse...

Fico feliz, pela homenagem, pois mesmo perseguida pelas crianças da rua, ela era autentica, lembro bem os seus figurinos. E fiquei triste pelo concurso não trazer nimguem com tal perfil. Não tendo nada contra a pessoa que ganhou,mas o concurso deveria ter o perfil da miss.

Anônimo disse...

José Alberto, você cada dia mais nos surpreendendo com suas "tiradas".
Agora vem com esta homenagem à "Miss Paripueira"; figura lendária excêntrica dos tempos idos, que, à época, causava estranheza pelo seu perfil físico e comportamento, exibindo vestes tão únicas, singulares; somente alguém especial para usá-las.
Parabéns.
Perroneo Tojal