domingo, 26 de dezembro de 2010

Poema de Lêda Mello

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ANO VELHO, NOVO ANO
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Lêda Mello

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Ano Velho declinando,

longe não vejo os momentos
em que estive arrumando
as coisas e os sentimentos,
joio e trigo separando,
limpando compartimentos,
minha casa aprontando
Pra luz do seu nascimento
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Ano findando, eu pensei:

- O que, vivendo, aprendi?
Como foi que empreguei
o tempo que recebi?
Quanto joio arranquei
e quanto trigo eu colhi?
Quantos sonhos realizei,
e de quantos me desfiz?
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Despeço-me, agradecida,

do período que está findo,
por ajustar minha vida
pro ano que vem surgindo.
Esperança revivida
e novo alento sentindo,
alma canta em acolhida:
Ano Novo, és Bem-Vindo!
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(Arapiraca (AL) – Brasil)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Poetas alagoanos quase esquecidos (6)

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Se outra vida houver
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Georgette Mendonça
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Se outra vida houver
não quero ser água poluída.
Nem mar afogando rio.
Também não quero ser
fogo destruidor
- sarça ardente
incinerando estio.
Não quero ser
fruto nem semente.
Sequer
desejo ser flor.
Nem rosa. Nem margarida.
Se houver
outra vida
quero ser
a estrela menor
de uma galáxia qualquer.
Mesmo entre cosmos perdida.
Mesmo extraviada entre planetas.
Seja lá onde for!
Contanto possa escutar poetas
falando de amor.
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Georgette Silva de Oliveira Mendonça nasceu em Atalaia (AL), foi procuradora do antigo IAPAS, escreveu vários livros, dentre eles “Eu quero duas almas” (1948), premiado pela Academia Alagoas de Letras; “Retalhos” (1978); “Eunice Lavenère e seu cantar” (1978), biografia, premiada pela Academia Alagoana de Letras. Viajou muito e registrou suas impressões de viagem em vários livros.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Arnoldo Chagas e o "Agente Fancês"

Arnoldo e Zealberto durante lançamento do "Agente Francês"
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Depois de uma carreira vitoriosa no Rádio alagoano como noticiarista, narador esportivo e publicitário, Arnoldo Chagas revelou-se um empresário pioneiro com o lançamento do Consórcio Vulcão e do "BIP" (um aparelhinho eletrônico que servia para localização de pessoas, bem antes do surgimento do telefone celular)
Aposentado como Procurador de Justiça, Arnoldo não parou por aí, criou o site Varanda de Ipioca (http://www.varandadeipioca.com.br/) e acoplou a Rádio VarandaWEB, o "point" da boa música e da informação precisa. Inspirado na beleza da Praia de Ipioca, onde mora, revelou-se compositor musical, lançando um CD com 14 faixas primorosas, gravadas pelos cantores Neto e Leureny, que alcançou grande sucesso.
Como se não não bastasse, Arnoldo acrescentou mais um ítem à sua biografia de sucesso: estreou como romancista com o livro "O Agente Francês", uma história envolvendo mistério, espionagem, sexo, futebol e outros ingredientes picantes. O prefácio é do jornalista global Márcio Canuto, seu antigo companheiro de jornadas esportivas. O livro foi lançado dia 07 de dezembro na Nossa Livraria Editora (Farol).

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Espera sob teto urgente
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Cavalcanti Barros
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Fios de chuva,

cortina de cristais líquidos.
Composição cúmpliceda espera improvisada.
Biqueira antigafoi teto urgentepara ver passagem
da tua passagem.
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Passaram por mim os felizes:

os mendigos,
os ébrios,
os cães sem dono,
e os sem lar
(os sem patrimônio sentimental).
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Até a chuva passou, de leve,

indiferente.
De sob meu teto urgente,
só não vi passara tua passagem.
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Publicado no blog Movimento da Palavra (movimentodapalavra.blogspot.com)
Copyright © 2010 by Cavalcanti Barros All rights reserved.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sobre os poetas

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Às vezes, as palavras queimam. Abrem lumes de prata na negrura da impossibilidade de as dizer. São lua que se derrete no mar. Luz. Música.
Silêncio líquido.
Nasce, então, a poesia: poeira lírica do céu que a mão frágil do poeta semeia.
Ousadia, talvez.
O poeta tem palavras enredadas nos dedos: rosários de amores e desencantos, de medos e de esperanças. Com elas, adoça a vida, escreve o mundo e partilha imagens como quem conta um segredo.
O poeta tem beijos na voz. E desenha com eles mapas de sentidos num tempo que não conta. Azul. Divinamente azul. Tecidos com fios de luz, bordados com o arrepio que o vento acende nas paredes dos olhos.
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"Sobre os poetas", Graça Alves, publicado no “Jornal da Madeira”, edição de 16/11/2010, Funchal.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Estamos no caminho certo

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Poetas querem mais poesia na internet

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A internet atrai cada vez mais escritores e leitores de poesia, mas a poesia vista na rede ainda mantém os moldes tradicionais de verso e estrofe. Esse foi o tom do segundo Simpósio de Crítica de Poesia, organizado pelo Departamento de Teoria Literária e Literaturas da Universidade de Brasília, que atraiu jornalistas, professores, pesquisadores e poetas. Eles discutiram as inúmeras possibilidades de fazer poesia diante das tecnologias de mídia do século XXI. O simpósio fez parte da Semana Universitária e contou com a presença dos poetas Nicolas Behr e Luís Turiba.

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Fonte: http://www.planetauniversitario.com/

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Poetas alagoanos quase esquecidos (5)

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O Lírio
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Sabino Romariz (*)
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O lírio era uma flor imaculada,
Casta como um sorriso de Maria;
Flor de uma alvura tal que parecia
Ter sido feita de hóstia consagrada.
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Em Getsemâni, a face ensanguentada
Jesus tragava o cálix da agonia
e uma gota de sangue luzidia
Sobre um lírio caiu cristalizada.
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E nisto flor, sem mancha concebida,
foi-se tornando como que dorida
Tomando aquele tom violáceo, frouxo...
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E de como era outrora alvinitente
O lírio da Judeia, finalmente
Crepuscular ficou, tornou-se roxo.
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(*) Sabino Romariz (o velho) poeta, jornalista, professor e funcionário público, nasceu em Penedo (AL) em 15 de março de 1873 e faleceu na mesma cidade em 09 de maio de 1913. Do seu registro bibliográfico constam os livros Lama Sebacthani, Simoun, Toque d’Alva, Bibliário e Madalena, todos de poesia. É Patrono da Cadeira n. 15 da Academia Alagoana de Letras.

Poetas alagoanos quase esquecidos (4)

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Ilusão
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Tito de Barros
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Vivo de uma ilusão que me suplanta,
E o meu sentir ao mundo denuncia,
Pela sinceridade com que canta,
Buscando as portas de ouro da harmonia...
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Há, no seu todo, um resplendor de santa,
Com que meus pensamentos alumia,
E mais alto, meu canto ao céu levanta,
Na doce claridade do meu dia...
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Deus que me deste amor e sentimento,
E lira e canto, neste vau medonho,
Libertando-me ao negro sofrimento;
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Deus, cuja bondade os olhos ponho,
Não me afastes da musa o pensamento,
Não me despertes nunca deste sonho...
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Tito de Barros nasceu em Murici (AL) no dia 29 de setembro de 1878 e faleceu em 14 de junho de 1945. O soneto acima consta do livro “O poeta da Saudade – Tito de Barros – Vida e Obra”, escrito pelo poeta Diógenes Tenório Júnior (Edições Catavento, Maceió-AL, 2002).

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Poema de Lêda Yara Mello

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SEM RIMA
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Lêda Mello
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De tudo que encanta e anima
um amor feito obra-prima,
falta a fonte, que arrima,
da presença que aproxima
e da palavra que exprima
sentimento que sublima
e alimenta o amor, a estima.
Falta até mesmo uma rima
pra saudade que restou.

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Lêda Yara Mello - Arapiraca - Alagoas

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Derinha Rocha em vídeo especial

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Valderes (Derinha) de Barros Rocha gravou e editou este vídeo utilizando sua própria imagem e trilha musical composta por Luiz Alberto Machado, arranjo & cordas por seu irmão Jarbinhas Rocha.
Derinha faleceu no sábado (16.10.2010), deixando imensa saudade. Ela é filha da querida amiga Valderez de Barros, poeta, fundadora do "Movimento da Palavra".
Como escreveu Lou Correia: "Que a linda 'Flor de Miosótis', do jardim dos meus afetos queridos, perfume e floresça doravante, nos jardins da eternidade!"

Clique no link abaixo e assista ao vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=lTvTBWlQgQA

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

MAR ABERTO
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Diógenes Tenório Júnior (*)
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Diante de ti, diante dessa imagem
Que o teu retrato traz para bem perto,
Meu coração se torna um mar aberto
Onde o navio dos meus sonhos faz viagem.
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Olho em volta e diviso a paisagem:
Ondas revoltas, pedras, rumo incerto.
E um marujo novato, boquiaberto,
Vencendo o medo em busca de coragem.
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Minha alma se faz um oceano
Onde, à deriva de mim mesmo, clamo
Pelo que apenas tu podes me dar:
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Uma praia tranquila e bem serena,
Que me convença de que vale a pena
Correr todos os riscos p’ra te amar.
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(*)
Diógenes Tenório Júnior é um dos melhores poetas alagoanos. Nascido em Murici, é autor de quatro livros: Murici, Clamor das Pedras, Mar sem Porto e O poeta da saudade: Tito de Barros – Vida e Obra, no qual reverencia a memória de um dos maiores poetas alagoanos. Diógenes Tenório é Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, da Academia Alagoana de Letras.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

CACOS INCONEXOS

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Cacos inconexos”, do poeta Ricardo Cabús, foi lançado neta segunda-feira, dia 27, no Engenho Massayó, com a presença de escritores, poetas, colegas arquitetos, alunos e amigos do autor.

Sobre o poeta e sua obra escreveu Arriete Vilela: “A poesia de Ricardo Cabús é inteligente, inquietante e ardilosa; tem-se a impressão de que se preparam, a cada verso, armadilhas polissêmicas, tantas são as ambiguidades do sentido, ou melhor, as significações simbólicas”.

Vera Romariz disse que a poesia de Cabús “parece reiterar, no âmago da experiência verbal, o difícil encontro da face romântica na liberação da modernidade poética”.

Ricardo Carvalho Cabus é maceioense, com doutorado em arquitetura em Londres, professor da UFAL, e criador do Projeto Papel no Varal e do Instituto Lumeeiro (http://www.lumeeiro.org/).

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Bibia Apaixonada...

Anna Beatriz
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AMOR
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Amor vem sem rumo,
Amor vem sem direção,
Amor vem com carinho,
E vem cheio de emoção.
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Ele é tão lindo,
Bate sem querer,
Bate sem culpa,
Mas faz a gente tremer.
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Nos apaixonamos
Quando gostamos de alguém,
Essa pessoa pode ser tão bonita
Que não há como esquecer.
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Anna Beatriz Barros Costa de Oliveira, 10 anos, aluna da "Escola O Patinho Feio", estreia na poesia abrindo seu coraçãozinho e falando de amor como gente grande. Coincidentemente, ela é neta deste blogueiro.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Poetas alagoanos quase esquecidos (3)

Guedes de Miranda
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Antes que desça a noite
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Guedes de Miranda
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Antes que desça a noite,
O sol se pondo,
Contemplo em paz o fim da minha tarde.
Recordo o que fui – vencendo o tempo
Percebo o que sou – pelo tempo vencido.
Lutei, sofri, amei – vivi
E, com certeza, morrerei.
A ninguém, neste mundo, posso dizer
Fiz mal.
Quando a noite ontológica, implacável, descer,
Que restará de mim?
– Estes pobres poemas largados à toa:
Minh’alma dançando a valsa das sombras
E palavras, palavras...
E o fim, nada mais.
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Ciúme
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Guedes de Miranda
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A tua sombra procurou-me aflita
e me disse em pranto:
– Tenho ciúme de ti, amigo,
porque o meu corpo está fugindo de mim
para ficar contigo.
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Antônio Guedes de Miranda nasceu em Porto Calvo em 16 de maio de 1886. Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Pernambuco. Ao regressar a Alagoas, consagrou-se como um grande tribuno. Foi professor da velha Faculdade de Direito de Alagoas, Interventor e Vice Governador de Alagoas. Além de advogado, foi jornalista e brilhante poeta. Deixou os livros Exaltação à terra e sua gente, Antes que desça a noite e Eu e o Tempo. Faleceu em 1º de agosto de 1961, em Maceió. (Colaboração de Arlene Miranda)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010


Parece que Deus resolveu reforçar os estudos folclóricos celestiais. Quase de uma só vez , chamou a Mestra Hilda, para organizar um novo grupo de Coco como o seu "Pagode Comigo Ninguém Pode", que tanto sucesso fez entre nós, e o pesquisador Luiz Gonzaga Barroso Filho. A charge acima é do competente Enio Lins, da Gazeta de Alagoas, edição de hoje, dia 03/09/2010.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Homenagem a Luiz Gonzaga Barroso Filho

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Poema do Tempo (*)
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Luiz Gonzaga Barroso Filho
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Se alguém me perguntar agora
como foi o início de tudo,
responderei: francamente não sei!
Sei que um dia surgiu a vida
e, depois de longo momento,
surgiu o homem
e tudo passou a acontecer.
Hoje, com o homem, as ciências
a serviço do bem e do mal;
hoje, com o homem, as máquinas
a serviço da vida e da morte.
Se me perguntaem agora
o que irá acontecer amanhã.
Responderei: francamente, não sei!
Sei que existirá um Deus, eternamente.
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(*) Luiz Gonzaga Barroso Filho, 64 anos, advogado, escritor, poeta, pesquisador, membro da Academia Maceioense de Letras, da Associação Alagoana de Imprensa e da Comissão Estadual de Folclore, faleceu na madrugada desta quinta-feira, 02 de setembro, na Santa Casa de Maceió.
Barroso tinha acabado de publicar dois livros – Poema do Tempo e Panorama da Cultura Popular em Alagoas – pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Avesso a lançamentos, cuidava pessoalmente do oferecimento dos livros aos seus amigos, quando se sentiu mal. Hospitalizado na sexta-feira (27 de agosto), permaneceu na UTI até a madrugada de hoje. Uma grande perda.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

As irmãs Tainah e Thamires em foto da época (2007)
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Como é bom ter uma irmã
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Tainah Barros Costa de Melo (*)
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Minha irmã é companheira
com ela me sinto bem
penso como seria ruim
a vida de quem não tem.
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O nome dela é Thamires,
e o apelido é “Cupim”,
pois mexe em tudo que vê
e sempre sobra pra mim.
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Ela é muito brincalhona,
gosta muito de dançar,
veste as blusas da mamãe
e começa a desfilar.
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Gosta muito do “Patinho”
paquera seus coleguinhas,
conta muitas novidades
e algumas mentirinhas.
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Essa é minha irmãzinha
a menina que tanto amo.
Não me imagino sem ela,
sem essa garota sapeca
e muito tagarela.
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(*) Este poema foi escrito quando a autora, aos 10 anos de idade, era aluna da "Escola O Patinho Feio". O poema integrou a coletânea “Nossas poesias”, organizada pela Escola, contendo trabalhos dos alunos da 4a. Série, publicada em 2007, em edição restrita.
As duas, por uma grande coincidência, são netas deste blogueiro corujão.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Poesia de Cavalcanti Barros

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Poeta Cavalcanti Barros retratado pelo artista Dydha Lyra.

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Eu sou a vida

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Cavalcanti Barros
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Não se enganem, sou a Vida.
Magicamente contida
num corpo que Deus me deu.
Tudo simples, sem mistério:
corpo morre. Cemitério.
Vida não morre. Sou eu.

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Filosofando
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Cavalcanti Barros
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Procurei. (Inda procuro).
Em dado momento achei.
Mas, inibido, inseguro,
o que achei não segurei.

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(Publicado pelo blog Movimento da Palavra (http://movimentodapalavra.blogspot.com/ )

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Um poema de Solange Lages

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Desejos verbais
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Solange Berard Lages Chalita
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Quisera indisciplinar-se
Contra a sintaxe
E já pela manhã colher
Frases frescas
Feitas com sobras de orvalho
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Nessas terras tórridas
Onde até o Amor estorrica
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Quisera amolecer-se e render-se à verdura
Certa vez sonhada
Para povoar a linguagem
De símbolos renovados
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(Do livro "Canto Mínimo", Ed. Grupo Editorial Scortecci - São Paulo - 2008)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Hércules: a Força da Criatividade

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Conheça os trabalhos do grande artista plástico alagoano HÉRCULES MENDES clicando no link http://www.herculesart.com.br/. Sua arte também pode ser encontrada no site www.artenata.elo7.com.br

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um poema de Lêda Yara Motta Mello

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Um lugar dentro de mim
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Lêda Mello
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Uma longa viagem,
atemporal,
profunda,
real.
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Como em perspectiva,
vi-me
no meu avesso,
nos meus perfeitos
e imperfeitos,
nos meus concretos
e irreais,
nos meus amores
e colhidos desamores,
nas minhas alegrias
e nas lágrimas libertadoras,
nos que passaram por mim
e naqueles por quem passei,
nos meus sonhos
e na minha realidade,
nas minhas idas, no meu indo
e no meu pretenso irei.
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Vi-me,
sem disfarces,
no que sou.
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(Arapiraca – AL)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Novo "FRANZINO" na praça

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A nova edição do FRANZINO, editado pelo artista plástico Hércules Mendes já está disponível na caixa postal dos amigos. Clique na página para vê-la um pouco maior.
Para conhecer as diversas artes de HM clique nos links: www.herculesart.com.br e
www.artenata.elo7.com.br
Comunique-se com o artista pelo e-mail:
herculesmendes@yahoo.com.br
Caminhos
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Lou Correia
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Conheço bem esta cor diferente,
este brilho novo em meu olhar.
Mais uma vez, igual a tanta gente,
lutarei para não me apaixonar.
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Você me desperta admiração,
com essa energia que me enriquece.
Há anos-luz, vivo na solidão
a dor de ser só, que não me esquece.
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Nos caminhos do bem-querer, eu penso:
quem sabe... se renascem novas flores,
seu carisma abrirá meu coração.
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Sigamos, então, terno amor imenso,
criemos atalhos livres, sem dores,
cumplicidade sutil da emoção!
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Indignação
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Cavalcante Barros

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Eu sinto a vida; logo, estou presente
no imenso Cosmo em que meu Ser se atrela.
Micro-luz de uma Estrela reluzente
ou de outra fonte menos luz que ela.
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Em meu Planeta, eu sou um Ser vivente
capaz de amar a Natureza bela.
Dos outros animais, sou diferente,
pois sei avaliar os frutos dela.
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No entanto esbarro numa indignação:
- se amar é verbo de sublime ação,
por que mergulho numa atroz vileza?
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E se eu amo, por que dissimular?
Ceder ao crime e então me transformar
no maior predador da Natureza?
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Exaltação ao vinho
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Arlene Miranda
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Para afastar a dor eu bebo vinho,
Aquele tinto de buquê suave,
Entre os lençóis de seda em desalinho,
Me vem direto de longínqua cave.
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Companhia melhor não pode haver
Que a fina taça de um sagrado vinho.
Brindando à vida até o alvorecer
Põe borbulhas de amor em meu caminho.
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Com o delicado vinho eu brindo então
O amor que sinto em minha solidão.
E exalo, assim, o odor de mil florais.
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Me embriago, sem dor nem nostalgia,
E me perco em sublime fantasia,
Lembrando os meus amores desiguais.
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Soneto classificado com Menção Honrosa, dentre as 70 produções poéticas inscritas, no 1º Concurso Vinho & Poesia, realizado pela Comercial Vinho & Poesia e a APROVALE -Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos(RS), e divulgado no Filó italiano, realizado no Hotel Villa Michelon, no Dia Estadual da Poesia.
Fonte:
http://movimentodapalavra.blogspot.com/

terça-feira, 6 de julho de 2010

Passeio com meu pai
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..........José Alberto Costa
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Sonhei que meu pai
me levava a passear,
por campos diferentes
daqueles que percorríamos,
em nossa terra de muito sol.
Local frio, de luz mortiça,
um entardecer parado no tempo,
que não deixava a noite chegar.
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Eu muito pequeno, ele muito grande
como sempre me pareceu a vida inteira.
Grande na estatura, nas atitudes.
Eu, um pigmeu que mal conseguia
acompanhar seu passos firmes.
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Só o chapinhar das nossas botas,
sobre a relva úmida, quebrava
o silêncio daquele momento.
Pensamentos sincrônicos
substituíam palavras
e os ensinamentos
iam diretos ao coração.
Passei a admirá-lo ainda mais.
Quando sumiu, senti-me abandonado
na fria solidão de um vazio imenso,
sem o calor de sua presença.
Acordei criança perdida,
de olhos úmidos, buscando o pai.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

"FRANZINO" na praça.

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O "Franzino", editado pelo artista plástico e cartunista Hércules Mendes, está circulando na praça, isto é, na caixa postal dos amigos. Esta é a edição de nº 38.

domingo, 20 de junho de 2010

Poema de Saramago

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Espaço curvo e finito
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José Saramago
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Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças e ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe, um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.

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(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O mundo perde Saramago

Escritor José Saramago
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Morreu nesta sexta-feira (18) em Lanzarote (Ilhas Canárias, na Espanha) o escritor português José Saramago, aos 87 anos. Em 1998, ele ganhou o único Prêmio Nobel da Literatura em língua portuguesa. Saramago morreu em consequência de uma múltipla falha orgânica, depois de prolongada doença.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cordel em parceria

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"Peleja de baiana arretada contra alagoano medroso", cordel lançado em Salvador(BA), pela cordelista Creusa Meira, escrito em parceria com este blogueiro (Zealberto). A ilustração é uma autêntica xilogravura do artista Luiz Natividade, tal como usavam os tradicionais cordelistas nordestinos. Setilhas, Décimas, Martelo Alagoano e Galope a Beira Mar foram utilizados pelos poetas no desenrolar da peleja.

sábado, 15 de maio de 2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Poetas alagoanas quase esquecidas (2)

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Boêmia
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Rosália Sandoval

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Chorava, quando os lírios lhe puseram
nas mãos minosas como dois arminhos

o perfume que nunca elas tiveram
nesta senda formada por espinhos.
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Traz na tristeza as mágoas que lhe deram.
Na blusa clara, dois remendozinhos
ocultando a maldade que fizeram
as travessas roseiras dos caminhos.
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Uns tons de rosa pela face linda...
No azul dos olhos, a ternura infinda
dum brasileiro céu primaveril.
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Porém nas roupas... que pobreza imensa!
E na alma triste a lúrida sentença
de realizar esse destino hostil.
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Rosália Sandoval, pseudônimo adotado por Rita de Sousa Abreu (1876-1956). Nascida em Maceió - Alagoas, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde faleceu, aos 80 anos, na Estação São Francisco Xavier, em 1956. Alguns dos seus livros publicados: Através da Infância (1918) Quando as Roseiras Floriram (versos) Cingo (poemeto) e volume de traduções de Poetas Americanos. Era irmã do poeta Sebastião Abreu, um dos fundadores e patronos da Academia Alagoana de Letras.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Um poema muito antigo

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Poema
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José Alberto Costa
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Um elefante branquinho,

feito das armas de outro,
vive indefeso, quieto,
sobre a mesa do meu quarto
onde costumo escrever.
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Em sua sólida mudez
conhece todo meu drama:
- chora comigo nas noites
de vigílias forçadas
quando rostos ressuscitam
pelas campas da memória
trazendo horror ao vazio
que há no quarto e em mim...
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(Maceió, 02/09/1960)

Joia da Poesia de Cordel

Afonso Pequeno é poeta de São José do Egito -PE. Esta pérola da poesia popular foi garimpada por Lou Correia em suas andanças por aquele berço de iluminados improvisadores, terra de seus ancestrais.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Casa do Patrimônio de Maceió

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Antigo armazém do bairro do Jaraguá, construído no início do século passado para estocagem de açúcar, está sendo recuperado com verba do Ministério da Cultura e vai se transformar na “Casa do Patrimônio de Maceió e na sede da superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Alagoas.
O novo equipamento oferecerá opções de lazer e cultura à população, tais como: museu, biblioteca especializada, palestras, seminários e outras atividades. Grande Iniciativa.
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(Fonte: "Portal Tudo na Hora")

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Poema de Luiz Gonzaga Leão

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Preparação da manhã.
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Gonzaga Leão
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É duro dizer, criança
filho do triste operário
do sofrido camponês
que em vez dos belos brinquedos
que te fariam feliz,
dar-te-ei canhões fuzis
e a noite feita de medo;
contar-te-ei em segredo
(não histórias pra dormir)
que neste imenso país
somente o rico é feliz
só o rico tem porvir;
e contar-te-ei também
que o pão que falta em teu prato
sobra no prato de alguém;
que tua roupa nenhuma
não mais serve a quem a tem.
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Mas direi no entanto a ti
(rudemente enquanto falo)
que nessa estrada de agora
não muito distante a aurora
já avia seus cavalos
com seu jaezes de fogo
e ardentes ferros nos cascos
com sua fonte de sol
a celebrar-se nos olhos,
que deixarão claridades
de manhãs onde passarem:
- e não haverá mais sede
boca não dessendentada
rios que não tenham ponte
de paz e fraternidade.
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E no chão de todo o mundo
transformado em bem comum
rebentarão as sementes
e o pão será permanente
na mesa de qualquer um.
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Maceió/Alagoas - Fevereiro de 1963.

sábado, 10 de abril de 2010

Um soneto de Christiano Nunes Fernandes

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O aquário no peixe

Christiano Fernandes
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Eu vivo submerso em meus sentidos
como se fosse um peixe sem aquário.
E por detrás dos vidros dos meus olhos
não vejo nada mais além do que
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as poucas águas que me foram dadas
nesse pequeno mundo que imagino
ser tudo, com essas algas pobres e um
veleiro naufragado de propósito
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para iludir-me e me deixar contente
por vezes, entretanto, no silêncio
das águas que me envolvem, lá no fundo
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me ponho a imaginar que deve haver
um mar deslimitado de horizontes
além dos meus sentidos, felizmente.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Homenagem a São José em "Martelo Alagoano"

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Hoje o dia chegou muito chuvoso
dia bom pra plantar milho e feijão
com as bênçãos do santo do sertão
São José, carpinteiro habilidoso,
um bom Pai, um amigo cuidadoso
não despreza seu povo soberano
sofredor que trabalha todo ano
na lavoura, com força e muita fé,
quando chove agradece a São José
Nos dez pés do Martelo Alagoano.
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(Zealberto Costa - Maceió-AL/19/03/2010)
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Este é um tipo de repente nordestino, cantado pelos violeiros, que obedece às regras do martelo, só que o último verso acaba sempre com a expressão "martelo alagoano".

segunda-feira, 15 de março de 2010

Poetas alagoanas quase esquecidas (1)

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Tuas mãos
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Creusa Chaves (*)
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São duas conchas róseas de ternura,
Onde as minhas repousam docemente,
São dois poemas de esplêndida candura
Que guardo para mim avaramente!
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Dois lírios, dois presentes da Natura,
Dois ninhos de carícia irresistente,
Ao vê-las sinto no meu ser ventura,
E um mundo, ao afagá-las, diferente...
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Tuas mãos – duas trêfegas crianças
que brincam de beijar a mamãezinha,
E de puxar joviais as suas tranças...
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Tuas mãos – lago azul dos meus amores,
Que à tona, qual uma ávida andorinha
Vou beber água e vou cantar louvores.
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(*) Creusa Chaves, alagoana de Maceió, faleceu em Recife-PE. Era casada com o poeta Geraldino Brasil, também falecido.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Carlito em Portugal

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O escritor alagoano Carlito Lima lançou seus livros em Portugal com apoio da Casa da América Latina, nos dias 1º e 3 de março, com grande sucesso. Na foto, Carlito (c) apresenta "Confissões de um Capitão", na Livraria Ler Devagar, em Lisboa.
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IRMÃ DOROTHY
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Padre Célio Amaro (*)
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Voz feminina misturada às coisas da terra.
Esforço para falar a linguagem de cada gente.
Trilhas, milhas de histórias
Na trajetória o peso da religião, da igreja e da instituição.
Na bagagem, a profecia de vencer pra partilhar.
Partilhar rompendo cercas e divisas.
Multiplicando as mãos que tocam a terra.
Sonho trazido de outro continente,
Misturado aos sonhos das gentes de cá.
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De repente, ouve-se um som diferente.
Não é de enxada, foice ou facão.
Nem tão pouco de pássaros,
Ou de crianças brincando...
O som se repete uma, duas... várias vezes.

O fruto se rompe.
Na terra um corpo humano, feminino,estirado, perfurado.
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Em poucos instantes já está sendo velado.
Velado, vigiado pra preservar a memória.
Sepultado volta à terra:
causa das andanças, dos sonhos e da entrega.
Agora aconchego eterno.Voltou a ser semente...
Corpo sementeFruto rompido
Verdade afirmada.
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(*) Padre Célio Amaro é vigário paroquial em Luziânia /Go e aluno da Universidade de Brasília. (Enviado por Nivaldo Sales Cassiano)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Soneto de Lêda Mello

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CANÇÃO DO ENCONTRO
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Na orquestra da vida és o contraponto.
Onde a razão dá pauta à sinfonia
E o coração enfeita a harmonia,
Na doce e alegre canção do encontro.
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Que na tua mesa, felizes convivas
Não sintam riscos, sigam sem temor
De se irmanarem pelo teu amor,
Fonte de paz, um rio de águas vivas.
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Permite ao coração ser ponte e vida,
Traço de união, regaço e guarida,
Recanto de luz, onde o amor germina.
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Canta ao encontro um hino de louvor,
Faz de ti oferta, plena de amor,
Doce lembrança que nunca termina.

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(Arapiraca - Alagoas)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Carnaval" - trova de Zealberto

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Terminado o Carnaval

vão-se os amores banais,

tudo voltando ao normal

restam cinzas, nada mais.

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José Alberto Costa
(Maceió -AL - 17.02.2010)
Postado no blog "Movimento da Palavra".
movimentodapalavra.blogspot.com

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Homenagem à Miss Paripueira

Miss Paripueira
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Os organizadores do carnaval de Paripueira, no Litoral Norte de Alagoas, resolveram homenagear uma figura muito conhecida daquela região nos anos 60/70: Miss Paripueira, cujo nome de registro (se é que esse documento existiu) nunca soube ao certo. Dizia chamar-se Fulosina, Ambrosina, Aflosina ou outro nome qualquer e assim nunca descobri a verdade.
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A primeira vez que entrou lá em casa vinha fugindo dos “maloqueiros”, como ela dizia, que azucrinavam sua paciência, chamando-a de Sabiá ou Canela de Sabiá, coisa que detestava. Estava com fome, com sede e cansada da perigrinação habitual pelas ruas da então vila, agregadada ao município de Barra de Santo Antônio, pedindo um dinheirinho para sua sobrevivência e defendendo o seu reinado de Miss. Voltou lá várias vezes para tristeza dos meus filhos que morriam de medo dela.
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Baixinha, de idade indefenida, Miss Paripueira, andava com roupas extravagantes e enfeites berrantes, ofertados por pessoas que ela considerava de bom coração. Quando saía de casa, lá pras bandas da Rua das Velhas, chamava a atenção pelo colorido dos seus trajes oficiais. Procurava andar nos trinques para fazer frente a uma tal de Lulu da Barra que, invejosa, desejava usurpar-lhe a coroa e o título. Dizia que Lulu não sabia desfilar e nem dançar o carnaval. Somente ela, Miss Paripueira, conhecia o “passo da onça”, um estilo de dança com o qual pretendia desafiar a “olho grande” da Barra, para desmoralizá-la no meio da rua.
Lulu da Barra e os maloqueiros da rua eram seus maiores inimigos. Desses, nem a polícia cuidava. Da invejosa ela mesma cuidaria. Qualquer dia invadiria a Barra com seus amigos e defensores para dar uma sova de bunda limpa na tal Lulu e escorraçá-la da região, completamente avacalhada.
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Um dia os jornais noticiaram a morte de Miss Paripueira, vítima de atropelamento, no centro de Maceió. Todos sentiram, lamentaram a desdita daquela figura emblemática de Paripueira. Passado algum tempo, volto a encontrá-la em Maceió, vivinha da silva. Falou do acidente, achando que Lulu da Barra teria alguma coisa com aquele fato.
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Quando morreu de verdade só tomei conhecimento tempos depois, porque naquela época vivia afastado de Paripueira. Com os filhos na adolescência, que sempre apareciam com outros programas para finais de semana e a casinha praieira ia ficando desprezada.
Agora, tantos anos depois, leio a notícia do “Concurso de Fantasias Miss Paripueira”, estampada no blog “Pois É – um jornaleco de opiniões e picuinhas”, editado pelo competente amigo Pedro Cabral, trazendo ainda uma foto da homenageada que marcou época em Paripueira, enviada por Keyler Simões, que tomo a liberdade de reproduzir. O evento será no sábado de carnaval, na Casa de Cultura de Paripueira. Estarei lá com certeza. (JAC)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Poema de Larissa Perdigão

Larissa Perdigão (*)
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PASSOS DE ANJO
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Invadiu meu mundo com passos de anjo,
Fez do silencio noturno a mais doce sinfonia,
Despejou simpatia com olhar brilhante,
como estrela guia.
Era luz, pura luz, era dia.
E iluminou minh'alma já tão obscura.
Trouxe a cor da paixão que jazia.
Fez então de novo a vida.
Invadiu meu mundo com passos de anjo,
Fortes e precisos passos de anjo.
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(*) é psicóloga, mantém o blog “Em Guardanapos” (http://larissa-emguardanapos.blogspot.com/)
onde publica seus poemas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Homenagem familiar

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No último dia 29/01 nosso querido pai e avô José Alberto nos orgulhou com mais uma demonstração de seu conhecimento, dedicação e inteligência, quando teve seu blog escolhido como o melhor do ano de 2009. Para nós filhos e netos é um troféu ter um “veínho” tão sábio, atualizado e tão carinhoso. Eu como filha já o achava babão e extremamente presente em minha vida, mas ele conseguiu superar ainda mais estas características quando passou a ser avô, ele é o vovô conhecido por nós como a versão masculina da vovó Benta, do Sítio do Pica Pau Amarelo. Conta histórias, piadas, dá remédios, leva as netas ao colégio ou médicos, constrói contos, auxilia nas atividades escolares, cria músicas e poesias para cada uma delas e é chamado por elas de “dicionário ambulante”, pois tudo que elas precisam saber ele tem respostas e conhecimento para explicar, seja qual for o assunto, o que deixa todas muito vaidosas. Ass escolas sempre o convidam para dividir sua experiência com os demais colegas.
Sua grande fortaleza, claro, é a grande vovó Mirô que sempre deu espaço para que ele nos amasse e intermediasse todas essas relações. Sua bat-caverna é um quartinho com uma frase na porta: “Deus abençoe esta bagunça”. Lá ele se realiza e se encontra em meio a um acervo de tudo que possamos imaginar. É onde só ele consegue encontrar as coisas e manter sua bagunça organizada. Ai daquele que ameaçar entrar em seu espaço sem permissão, regra respeitada pelas suas netas, que só usufruem do espaço em sua presença.
Este homem guerreiro é um orgulho para nós e, por isso, nos faz querer ficar cada vez mais em sua presença.
Acima, as cinco netas privilegiadas pela presença dele em suas vidas. Cada uma carrega uma característica única deste grande homem.
Te amamos Papai! Te amamos Vovô!!!
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Beijos,

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Ana Paula, Carla, Beto (filhos) e as netinhas Analívia, Tainah, Beatriz, Thamires, e Bruna

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Poema de Hécules Mendes

Hércules Mendes
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Eis o Zé, o Zealberto,
Mente facetada e aberta
Produzindo arte
A arte da crônica
A arte do poema
A arte do Blog
E tantas outras artes
Inatas
A arte da amizade
A arte do companheirismo
A arte da lealdade
A arte da solidariedade
Eis o Zé
O Zealberto
Aberto/revelado/festejado
Não é um Zé qualquer
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Com um forte abraço
Hércules( o fraco ).

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HÉRCULES DE ALMEIDA MENDES é economista, artista plástico dos mais completos e, sobretudo, meu amigo. Muito obrigado e um abraço do mais fraco ainda.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Blog Premiado

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5º PRÊMIO ESPIA
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Este blog foi escolhido por votação popular o "Melhor blog do ano de 2009". No próximo dia 29, às 17 horas, o blogueiro titular, babando de felicidade, estará recebendo o certificado conferido pelos organizadores do 5º Prêmio Espia, em reunião na Praça Gogó da Ema, Ponta Verde, aqui em Maceió - Alagoas (em frente ao clube Alagoinha). No mérito, o prêmio pertence aos leitores de Alagoas, do Brasil e de quarenta e tantos países que acessam este espaço com regularidade. O Prêmio Espia nasceu da visão do genial Carlito Lima quando da editoração da sua Revista Eletrônica Espia, hoje transformada em
Blog do Carlito Lima.
Muito obrigado a todos pela escolha.
Espero em 2010 continuar com o apoio dessa legião de admiradores da boa poesia.
(Veja relação completa dos premiados no Blog de Carlito Lima - blogdocarlitolima.blogspot.com/)

Poema de Ledo Ivo

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Minha Pátria
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Ledo Ivo
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Minha pátria não é a língua portuguesa.
Nenhuma língua é a pátria.
Minha pátria é a terra mole e peganhenta onde nasci
e o vento que sopra em Maceió.
São os caranguejos que correm na lama dos mangues
e o oceano cujas ondas continuam molhando os meus pés quando [sonho.
Minha pátria são os morcegos suspensos no forro das igrejas [carcomidas,
os loucos que dançam ao entardecer no hospício junto ao mar,
e o céu encurvado pelas constelações.
Minha pátria são os apitos dos navios e o farol no alto da colina.
Minha pátria é a mão do mendigo na manhã radiosa.
São os estaleiros apodrecidos
e os cemitérios marinhos onde os meus ancestrais tuberculosos
e impaludados não param de tossir e tremer nas noites frias
e o cheiro de açúcar nos armazéns portuários
e as tainhas que se debatem nas redes dos pescadores
e as résteas de cebola enrodilhadas na treva
e a chuva que cai sobre os currais de peixe.
A língua de que me utilizo não é e nunca foi a minha pátria.
Nenhuma língua enganosa é a pátria.
Ela serve apenas para que eu celebre a minha grande e pobre pátria
muda, minha pátria disentérica e desdentada, sem gramática e sem [dicionário,
minha pátria sem língua e sem palavras.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Uma crônica de TAÍS BRAGA

A vida pede tempo
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Taís Braga (*)
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O fim do ano chegou e quase não houve tempo para realizar tudo o que planejamos. O que aconteceu com o tempo, que se tornou tão escasso ao longo dos anos? Lembro que, quando criança, o Natal demorava a chegar. Hoje, nos plantões da redação, o tempo se esvai. Na correria do dia a dia, não sentimos que ele está a passar. Às 16 horas já estamos pensando na edição do dia seguinte. Praticamente vivemos dois dias em um só. O segundo, por antecipação.
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Já ouvi alguém dizer que luxo, atualmente, é ter tempo para se fazer o que quer. Concordo, em parte. Luxo mesmo é ter tempo para não fazer nada. Nadinha. Tempo para ver, sentir, curtir o tempo passar. Acho mesmo que a falta de tempo é um dos grandes problemas da sociedade em que vivemos. Falta-nos tempo para viver. Já li, assisti e ouvi pessoalmente declarações de pessoas que decidiram mudar o ritmo da vida depois de sofrerem graves acidentes, risco de morte ou uma perda irreparável. E fico me indagando: se cada um de nós tiver que esperar um acontecimento semelhante para dar uma guinada na vida, quantas desgraças teremos que contabilizar?
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Já existe uma corrente de pensadores que defende o ócio como estilo de vida. Responda com sinceridade: você, em alguma ocasião, já se sentiu como um aluno que não fez a lição de casa ao tirar um dia de folga no meio da semana? Já se pilhou com a sensação de inutilidade por estar andando calmamente ou conversando amenidades? Por que nos cobramos o preenchimento total desse nosso tempo tão enxuto? Desde quando estabeleceram que falta de tempo é certificado de competência?
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Quantas coisas deixamos de fazer “por falta de tempo”? Aquela visita adiada, o abraço corrido, o beijo jogado na palma da mão, a oração que se perdeu na porta da igreja, o carinho não recebido, o assunto não finalizado? E o “eu te amo” que deixamos de dizer a um filho, mãe, pai, pessoa amada, ao amigo? Por falta de tempo. Falta de prioridade.
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Em 2010, vamos em busca do tempo. Vamos parar e ganhar tempo de vida. Todo o tempo que pudermos conquistar nesta vida. Ela nos foi dada. E, como bem disse o poeta. Só nos resta viver.

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Taís Braga é alagoana, jornalista e vive em Brasília (DF) onde trabalha no jornal “Correio Braziliense”. Esta crônica foi publicada originalmente na edição de 24.12.2009 daquele jornal. (Republicação autorizada)