
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Um poema de Arriete Vilela
............................................Arriete Vilela.
Poema 50
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Esfiapo-me assim
em palavras
para que não me ardas na pele
crestada:
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sob o sol e ao relento
tenho buscado as migalhas
de afeto com que vais marcando
o caminho – pistas que farejo
na solidão.
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também esfiapo o meu olhar
e me lanço à proa dos barcos
que atravessam a lagoa
ao entardecer: carregam no casco
despintado a rudeza dos meus afagos
para que não se extinga no meu peito
o voo intuitivo dos vaga-lumes.
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Esfiapo-me assim
em versos
para que me celebres no anonimato
da tua vida.
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Arriete Vilela – Poeta, romancista e contista nasceu em Marechal Deodoro, Alagoas. Professora aposentada da Universidade Federal de Alagoas, onde trabalhou com a autoria feminina na Literatura Brasileira, foi eleita para a Academia Alagoana de Letras em 1996. Sua obra recebeu inúmeros prêmios, pela importância de sua obra, como o da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, em 2002.
Obras publicadas (poesia e ficção):
Eu, em versos e prosa (1970), 15 poemas de Arriete (1974), Recados (1978), Para além do avesso da corda (1980), Pequena história da meninice e outras estórias (1981), Remate (1983), Fantasia e avesso (1986), Farpa (1988), A rede do anjo (1992), Dos destroços, o resgate (1994), O ócio dos anjos ignorados (1995), Tardios afetos (1994), Vadios afetos (1999), Grande baú, a infância (2003), Frêmitos (2003), A Palavra sem Âncora (2005), Lãs ao vento (2005), Ávidas paixões, áridos amores (2007), Obra poética reunida (2009).
O poema transcrito integra o livro "Palavras em Travessia", incluído no volume "Obra poética reunida" (2009 - Gráfica Editora Poligraf - Maceió/AL).
sábado, 28 de janeiro de 2012
Prêmio Notáveis da Cultura Alagoana - 2011
Este blog recebeu pelo terceiro ano consecutivo (2009 - 2010 - 2011) o Prêmio Notáveis da Cultura Alagoana, instituído pelo Blog do Carlito Lima (http://carlitolimablog.blogspot.com/), na categoria Imprensa. O Troféu "Guerreiro Alagoano" e o Diploma foram entregues ontem (dia 27), em reunião muito concorrida, realizada ao cair da noite na Praia da Pajuçara - Maceió-AL, pelo próprio criador do evento Carlito Lima, escritor, membro da Academia Alagoana de Letras e Secretário de Cultura do município de Marechal Deodoro.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Posse na Academia Maceioense de Letras
As poetisas Lys Carvalho e Valderez de Barros logo após tomarem posse no quadro de sócios honorários da Academia Maceioense de Letras, dia 25 de janeiro, em sessão festiva presidida pelo poeta Cláudio Antônio Jucá Santos, no Pajuçara Praia Hotel. Elas integram o Grupo Literário Movimento da Palavra.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
AML - Jantar de Confraternização
Academia Maceioense de Letras
INTELLECTU HOMO GLORIFICATUR
Fundada em 11 de Agosto de 1955
JANTAR DE CONFRATERNIZAÇAO
Na oportunidade serão empossados vários acadêmicos efetivos e honorários.
O Jantar será por adesão no valor de 35 reais por pessoa.
A Diretoria conta com a honrosa presença dos senhores acadêmicos e acadêmicas e familiares.
Local: PAJUÇARA PRAIA HOTEL
ENDEREÇO: Avenida Dr. Antonio Gouveia, 197 – Pajuçara- Maceió-AL. –
DATA – 25 DE JANEIRO DE 2012 –
HORÁRIO – 19.30 HORAS –
ADESÃO: 35 REAIS POR PESSOA
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
30 anos de saudades de Ellis
sábado, 24 de dezembro de 2011
Um soneto de Natal
Natal de um pária
Pedro Onofre
- Mamãe, papai Noel é mesmo um bom velhinho?
Se ele em verdade existe, assim como é falado,
por que não se lembrou de mim, esse enjeitado
que pra calçar não tem sequer um sapatinho?
E aquela pobre mãe, cabelo em desalinho,
o olhar busca esconder, tristonho e marejado
do pranto que verteu. Encara com cuidado
o filho, preocupada em demonstrar carinho.
Tenta expulsar do rosto essa expressão sombria
e num sussurro diz ao filho de repente:
- Se acaso ele existisse, o que lhe pediria?
E a criança ao responder-lhe, incrédula sorri.
- Queria que me desse, mãe, como presente.
na Noite de Natal, o pai que nunca vi.
Este soneto consta do livro “Poesias completas de Pedro Onofre”, lançado dia 22 de dezembro.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Dois poemas de Adélia Prado
A carne simples
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Na cama larga e fresca
um apetite de desespero no meu corpo.
Uivo entre duas mós.
Uivo o quê?
A mão de Des que me mói e me larga na treva
Na boca de barro, o barro.
Quando era jovem
Pedia cruz e ladrões para guarnecer meus flancos.
Deus era fora de mim.
Hoje peço ao homem deitado do meu lado:
me deixa encostar em você
pra ver se eu durmo.
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Roça
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No mesmo prato
o menino, o cachorro e o gato.
Come a infância do mundo.
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Adélia Prado nasceu em Divinópolis, Minas Gerais. Dentre sua vasta obra poética destacamos: Bagagem, O coração disparado, Terra de Santa Cruz, O pelicano, A faca no peito, Poesia reunida, Oráculos de Maio. Os poemas acima estão em "O coração disparado" (Editora Record)
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Um relógio criativo
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e descubra mais criatividade.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Joaldo Cavalcante lança novo livro

sábado, 12 de novembro de 2011
Poema de Lêda Mello
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Lêda Mello
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Assento-me no topo
do mirante do tempo.
Meus sonhos foram barco
singrando o teu mar
de marés oscilantes.
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Sorvo o ar impregnado
do mistério que existe
no vaivém das ondas,
entre o luar e a aurora
dos teus caprichos.
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A esteira de espuma
é o que resta do teu barco
rasgando as águas,
o oceano insondável
dos teus desejos.
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Deixo que a brisa suave
que movia as minhas ilusões
reconduza-me, mansamente,
para as águas tranquilas
do meu porto e remanso.
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(Arapiraca (AL) - Brasil)
Poema de Cavalcanti Barros
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Faz
O meu Agora.
Num salto quântico
De vida.
Uma santa magia acontecida,
Energia de Deus
Que em tudo aflora.
José Cavalcanti Barros, jornalista, escritor e poeta. Membro do grupo "Movimento da Palavra" (movimentodapalavra.blogspot.com)
domingo, 23 de outubro de 2011
Os dois disseram a mesma coisa?
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
Prêmio Nobel de literatura 2011
Há 21 anos o poeta sueco Tomas Tranströmer sofreu um acidente vascular cerebral que o deixou com metade do corpo paralisado e quase sem conseguir falar. Apesar disso, o escritor e também psicólogo, hoje com 80 anos, nunca parou de escrever, sempre longe dos holofotes mediáticos e isolado numa pequena ilha da Suécia. A Academia não se esqueceu da força realista dos seus versos e atribuiu-lhe, em Estocolmo, o Nobel da Literatura.
(Fonte: www.cmjornal.xl.pt/)
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Publicação de "Angústia" completa 75 anos
Este ano comemora-se os 75 anos da publicação do terceiro romance do escritor alagoano Graciliano Ramos. Em várias cidades do país o evento está sendo comemorado. Será que em Alagoas algum evento lembrará este marco da literatura brasileira?O escritor Antonio Cândido, 93 anos, lembra o que representou a publicação de "Angústia" na primeira metade do Séculoo XX. Clique no link abaixo e leia a matéria na íntegra:
http://migre.me/5KUe8
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Cultura alagoana perdeu Marcial Lima
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Nossos últimos encontros ocorreram nas proximidades de minha residência, quando ele saía das sessões de foniatria, onde buscava reaprender a falar. Logo ele, um homem que ao longo da vida sempre dominou plateias pela força das palavras pronunciadas com clareza, como ator teatral ou como conferencista, estava reaprendendo a falar. Uma triste ironia. O último desfile do seu bloco do coração, assistiu, ao lado de familiares e amigos, da sacada de um apartamento na praia de Pajuçara.
Marcial encantou-se na manhã do último sábado, dia 17/09, deixando muita saudade.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Um poema de Emanuel Galvão
Conceitos
Emanuel Galvão
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A palavra pesada
Diz ferro
Gritante diz
Berro
Carente diz
Quero
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Tão compreensiva quando diz
Releve
Tão suave se diz
Leve
Esclarecedora quando digo
Revele
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A palavra vem sempre
Carregada de conceitos
Eu carregado de defeitos
E nos trazemos palavras
Como heranças
E as usamos
Da maneira que nos agrada
Palavra eleva
E quando queremos
Desagrada
Faz-se uso da palavra
De maneira errada
Ou correta
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A palavra só nos usa
E até abusa
Quando pensamos em fazer versos
Soberana desse universo
Ela é que faz uso do poeta
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O poema acima consta do livro "Flor Atrevida" (Editora Quadrioffice" - Maceió/2007).
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Nunes, poeta
Paulo Jacinto
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Manoel Nunes Lima
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Paulo Jacinto! Fazendas, estradas,
Ruas compridas e tortuosas
Noites calmas, enluaradas,
Morenas acanhadas e dengosas.
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Paulo Jacinto! Carros-de-bois passando
gemendo, gemendo constantemente.
Rio correndo, gado pastando,
Mulheres lavando roupa ao sol quente.
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Paulo Jacinto! Boêmios apaixonados
fazendo seresta a noite inteira...
Paulo Jacinto! Casais de namorados
passeando na festa da padroeira!
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Paulo Jacinto! Cigarras cantando
em tardes quentes de verão...
Gente forte e alegre trabalhando
Na colheita do algodão.
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Paulo Jacinto! O meu lar paterno
Uma casa azul com portão ao lado...
O rio enchendo em tarde de inverno,
A voz de meu padrinho tangendo o gado.
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Poema escrito pelo jornalista, cronista e chargista Manoel Nunes Lima, em 1951, homenageando a terra que o adotou
quarta-feira, 6 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Nunes, uma saudade
Minha solidariedade à sua esposa Morenita e ao filho Márcio pela perda irreparável.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Poetas alagoanos quase esquecidos (9)
Sonetos de Cipriano Jucá (*)
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Penedo
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As águias fazem ninho no rochedo;
Amam a liberdade dos condores;
O abismo, em suma, não lhes causa medo,
Nem perturba também os seus amores.
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Há, na vida das águias, um segredo;
Nos seus voos possantes há rumores
De glorias, de saber, como no aedo
Quando sabe cantar entre esplendores.
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Num Penedo também, grande Sabino,
Foi que nasceste para ao teu destino
De ser águia, na vida transitória.
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Mas, se as águias se abismam no infinito,
O teu canto genial foi tão bonito
Que te abismaste nos lauréus da glória.
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(Este soneto foi dedicado ao poeta penedense Sabino Romariz --1873-1913)
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Sanhaçú
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Eu tinha, nesse tempo, meus dez anos
E era um menino bom para meus pais;
Apenas traquinava junto aos manos,
Batendo em latas velhas, nos quintais...
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Quantas vezes livrei de seus tiranos
Os sanhaçús, canoros animais,
Que outros memeninos maus e desumanos
Só faziam matar... e nada mais!
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Eu não! Eu tinha, nessa idade, o senso
Do menino educado e já propenso
Ao que eleva nossa alma para o bem.
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Fiquei homem assim... Não sou culpado
De ser um sanhaçú abençoado
Que não teme os bodoques de ninguém!
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(*) Cipriano da Silva Jucá (Maceió, 1886 - São Paulo, 1966) considerado pelo crítico Agripino Grieco “como um sonetistas dos mais perfeitos”, formou-se em Farmacologia pela Faculdade de Medicina da Bahia; em Alagoas foi professor do Seminário e prefeito da cidade de Maceió. Fundador da Academia Alagoana de Letras, escreveu para vários jornais alagoanos e de outros estados. Mudou-se para o Rio de Janeiro (1940) e depois para São Paulo (1950) onde é reconhecido como patrono de escolas, praças e ruas. Em Maceió, apenas uma rua no bairro do Poço, leva o seu nome. Obras publicadas: “Ode aos Jangadeiros Alagoanos” (1936), “Os Quarenta” (1938), “Asas de cera” (1951) e “Alma lírica do Brasil” (1960). É avô do poeta Cláudio Antonio Jucá Santos, fundador e atual presidente da Academia Maceioense de Letras.
terça-feira, 14 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Um namorado
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Lêda Yara
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Quando eu me enamorar,
Há de ser amor bonito:
Sonhando a dois, partilhar
Um bem-querer infinito.
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Quero quem me faça afago
E a quem eu possa afagar
Nos olhos, o toque de mago;
E que eu o namore no olhar.
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Que me inspire um doce amor,
Mas que saiba, com ardor,
Tomar meu corpo e amar.
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Bem querer que não fenece
Daqueles que não se esquece
Mesmo que depois se vá.
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(Arapiraca - Alagoas - Brasil)
domingo, 29 de maio de 2011
Poetas alagoanos quase esquecidos (8)
Você
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Jayme de Altavila
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Você resume tudo o que sonhei na vida:
Glória, beleza, amor, domínio, perfeição.
Tudo o que persegui numa doida corrida,
Tudo que me fugiu ao alcance da mão.
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Quando vejo você, fico de alma florida,
Porque você é luz, é perfume, é ilusão.
Você é, para mim, a ideia mais querida
A quimera mais linda, a mais doce emoção.
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Você tem uma voz de canário cativo.
Você tem um sorriso encantador e um quê
De vaidade, no olhar eloquente e expressivo.
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E você, apesar de tudo isso, não vê,
Inda não compreende, ante o enlevo em que vivo,
Que o mundo, para mim, se resume em você.
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Canto Nativo
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Jayme de Altavila
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Quando eu morrer, você rasgue um pedaço deste céu
E faça dele a minha mortalha.
Quando eu morrer, você cave um torrão de terra virgem
E faça dele o meu travesseiro.
Quando eu morrer, você arranque o Cruzeiro do Sul
E faça das estrelas meus círios.
Quando eu morrer,você asperja a água verde das Lagoas
Sobre os meus restos humanos
Quando eu morrer, você corte um ramo de pitangueiras
E cruze, sobre ele, as minhas mãos.
Quando eu morrer, você plante sobre a minha sepultura
uma palmeira Ouricuri.
Quando eu morrer, você reze nos meus ouvidos
A Sinfonia do Guarani.
Quando eu morrer, você encomende a minha alma nativa
A Rudá e a Tupã.
Quando eu morrer, você diga aos que perguntarem por mim
Que eu morri como nasci:
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Brasileiro.
Brasileiro.
Brasileiro.
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Jaime de Altavila, pseudônimo de Anphilóphio de Oliveira Melo (Maceió -AL 1895-1970), formado em Direito, novelista, cronista, poeta, ensaísta, historiador. Fundador da Academia Alagoana de Letras. Foi presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas por 14 anos e da AAL. Obras publicadas: Crepúsculo d’ouro e sangue (1915), Da vida e do sonho (1916), Diário de todos os amantes (1928), Canto nativo (1949), Últimas poesias (1968), Gênese e desenvolvimento da literatura alagoana (1922), História da civilização das Alagoas (1935) e Origem dos Direitos dos povos (1961), entre outras.
domingo, 15 de maio de 2011
Poetas alagoanos quase esquecidos (7)
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Armando Wucherer
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Você é para mim o Céu distante
Que eu procuro, da terra, divisar...
Você é a minha noiva, a minha amante:
- Loira Princeza para o meu solar.
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Você – é o meu cuidado, a cada instante;
A sombra, que me segue ao caminhar;
O palinuro, que me diz: “avante”;
você é luz votiva em meu altar.
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Você – é o meu futuro; o meu passado,
Minha crença pagã pelo universo...
Você – é a minha culpa; o meu Pecado...
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Você – é o proprio amor que lhe prometo:
Você – é a rima rara de meu verso,
A “ chave de oiro “ deste meu soneto.
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Armando Goulart Wucherer (Maceió - AL 03/8/1896 - 11/6/1956 ) foi poeta, advogado e professor. Membro da Academia Alagoana de Letras, onde ocupou a cadeira 14. Escreveu livros sobre Direito, desempenhou várias funções públicas em Alagoas. Sua poesia, porém, merece destaque. O soneto acima foi transcrito do livro “Canto do meu destino” (1946). Deixou algumas obras indéditas.
















