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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Soneto sem nexo

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A uma Santa (*)

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Tu és o quelso do pental ganírio

saltando as rimpas do fermim calério

carpindo as taipas do furor salírio

nos rúbios calos do pijom sidério.

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És o bartólio do bocal empírio

que ruge e passa no festim sitério,

em ticoteios do pártamo estírio,

rompendo gambas do hortomogenério.

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Teus lindos olhos que têm barcalantes,

são começúrias que carquejam lantes,

nas cavas chusmas de nival oblôneo.

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São carmentórios de um carcê metálio,

nas duas pélias por que pulsa Obálio,

vem vertimbráceas do pental perôneo.

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(*) “Deste soneto, de impressionante harmonia, construído intencionalmente na base de fonemas sem nexo, sabe-se apenas que o autor se chama Luis Lisboa e é maranhense”. Citado por Lago Burnett no livro “A Língua Envergonhada”.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Poema de Dydha Lyra

Dydha Lyra

Invasão

Invadiram-me sem cerimônia
aqueles olhos verdes
tristes e irriquietos...
que juro
nunca ter sentido num olhar
tanta doçura,
desejo
e afeto!

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Sonetos de Antonio Marinho do Nascimento

Poeta Antonio Marinho do Nascimento
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Amor de estações

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Chegaste como flor na primavera

Perfumando meu verso e minha vida

Era o início de uma nova era

Branca e singela como a margarida

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Veio o verão e o sol forte que era

Deixou nossa paixão mais aquecida

Eu dizia: Meu Deus que bom, quem dera

Que esse amor não tivesse despedida

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O outono, porém, veio a chegar

E nossas folhas ele ousou murchar

Faltou adubo para os corações

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E o inverno chegando em brisas calmas

Foi congelando aos poucos nossas almas

E o amor só durou quatro estações.

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Ao Duque
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Um recado a Osório Duque Estrada
Pois o hino da pátria está erraddo
Nosso povo não tem mais o seu brado
E a luz do seu sol foi ofuscada
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A justiça sem clava é fracassada
Nosso povo está desencorajado
Foge à luta envergonnha o seu passado
Nossos bosques de vida não tem nada
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Só se vê na nação hipocrisia
Injustiça nós vemos todo dia
Se olharmos em volta este Brasil
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Mesmo assim ainda amo a minha terra
Grito forte em planície, monte e serra
Que és amada entre outras terras mil.

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Antonio Marinho do Nascimento é natural de São José do Egito, Pernambuco, terra da poesia. Descende de uma forte linhagem poética: filho de Zeto e Bia Marinho, neto de Lourival Batista, bisneto de Antonio Marinho, sobrinho de Otacílio e Dimas Batista, e de Graça Nascimento e Job Patriota, alguns dos maiores repentistas brasileiros. Quem poderia ter sangue mais nobre? Aos dezesseis anos (2003) lançou seu primeiro livro - Nascimento - do qual extraímos estes sonetos. A foto acima está na capa do livro citado.

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Poema de Adélia Prado


AMOR NO ÉTER

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Adélia Prado
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Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água,
entram e não neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo,
a metafísica, exclamam:
como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.

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Adélia Luzia Prado Freitas (Divinópolis, 13 de dezembro de 1935). Nas palavras de Carlos Drummond de Andrade: "Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis".



Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Desabafo do poeta Manoel Cícero

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No mundo da teimosia
entre a tristeza e a arrogância,
é tão triste a ignorância,
tão cruenta e tão mordaz
que a própria sabedoria
de tudo sabendo tanto
não pode saber do quanto
o ignorante é capaz.
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Um desabafo do poeta Manoel Cícero do Nascimento, alagoano de Coqueiro Seco, nos anos 60. Vejam que a natureza humana pouco mudou.

Domingo, 26 de Abril de 2009

Abstracionismo de Célia Santos





O olhar atento vai captando imagens e cores para transformá-las em telas abstratas de uma beleza inefável, onde predominam os sentimentos e as emoções através do colorido e das formas criadas livremente, fruto de pesquisas cromáticas que produzem variações espaciais e formais na pintura, através das tonalidades e dos matizes obtidos. Assim, tem sido a rotina da artista plástica Célia Santos, um dos expoentes maiores da pintura abstrata alagoana.
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A menina nascida em Utinga Leão, na Grande Maceió, sempre viveu em ambiente multicolorido a partir dos jardins residenciais, da pracinha, do casario, da beleza da Mata Atlântica, mergulhando na exuberância do canavial que cercava o seu universo. Toda essa bagagem de luz e cores forjou a consciência pictórica da futura artista que somente desabrocharia alguns anos depois. A artista de hoje abandona a perspectiva tradicional e as formas da pintura, utilizando-se de linhas e cores para exprimir emoções.
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Os quadros de Célia Santos ganharam o mundo, saíram do Brasil para enriquecer pinacotecas longe daqui, graças a exposições realizadas em Maceió e, especialmente, em São Paulo. Os seus trabalhos voaram para os Estados Unidos, Portugal, Itália, Chile e tantos outros países, elevando o nome da artista alagoana. Realizar uma exposição hoje seria difícil, pois seus trabalhos são muito requisitados por arquitetos e decoradores.

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Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Soneto de Ronaldo Cunha Lima

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Janelas sem ninguém
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Retorno, à mesma rua, o meu desejo
de me encontrar comigo e estar contente.
Mas a rua mudou. Bem diferente
é a mesma rua que na noite vejo.
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Já não há mais espera ao meu andejo,
já não há na janela, à minha frente,
as covinhas do rosto, a inocente
e eterna musa que em meus versos beijo.
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Algumas rosas, dálias amarelas,
nas janelas abertas. Ninguém nelas.
A rua está mais triste, e eu também.
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Pobres flores, no outono das janelas!
Nem mesmo as flores continuam belas
quando enfeitam janelas sem ninguém.
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Ronaldo Cunha Lima, advogado, poeta e político, nasceu em Guarabira, Paraíba, no dia18 de março de 1936. É membro da Academia Campinense de Letras e possui várias obras publicadas, o soneto acima está no livro “As flores na janela sem ninguém...” (José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 2007).

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Sonetos de Christiano Fernandes

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Certas rosas e cavalos de outonos
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Cuidemos de inventar na primavera
cavalos que hão de vir por nosso outono
pastar os verdes campos de silêncio
velados pelas nossas rugas claras.
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Que sejam mansos os cavalos, tanto
quanto o silêncio for maior e calmo.
E que esses campos sejam verdes como
possa o outono ser resignado.
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Que outros cavalos hão de vir, por certo,
com rudes cascos atiçar a terra
que à paz do outono fez apascentada

- porquanto será inútil, então, querer-se
inventar certas rosas nesses campos
posto que a primavera é já passado.
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Das mãos e das rosas
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Desfez-se a busca. Minhas mãos cansadas
do grande vôo que pressentia eterno
se recolheram em si tranqüilas para
o sono conjugal da rosa rubra.
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Um leito imaculado se inaugura
em cada palma dessas mãos aladas
onde repousam pétalas ardentes
também nutridas de ausência e espera.
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Das asas extenuadas de meus dedos
debruçam-se ternuras sobre as pétalas
que solitários ventos machucaram.
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E há corações pulsando em melodia
nas minhas mãos e em todo o rubro ardente
da rosa umedecida e reintegrada.
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Christiano Nunes Fernandes (1931-1998), amazonense, chegou a Maceió ainda criança, onde viveu, amou, constituiu família e escreveu sonetos e poemas que marcaram época. Os sonetos acima foram extraídos do livro “Da Rosa Definitiva”, prêmio Gustavo Paiva, conferido pela Academia Alagoana de Letras.

Sábado, 28 de Março de 2009

Lamentos da Terceira Idade

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Tenho muitos lamentos nesta vida
das mazelas que aturo todo dia,
enxaqueca, mouquice, nevralgia,
reumatismo, cabeça enfraquecida,
dor nas costas, a perna adormecida,
falta de ar, fraqueza do pulmão,
só se salva o meu pobre coração
mesmo assim, afogado na saudade,
Se eu pudesse comprava a mocidade
nem que fosse pagando a prestação.
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Depois de revelar minhas mazelas
de contar meus segredos de saúde

acredite, eu choro a juventude,
uma fase de vida das mais belas,
que vivi na esbórnia, sem cautelas,
com bebida, cigarro e diversão,
sem saber que vivia um turbilhão
de emoções, alegria e falsidade,
Se eu pudesse comprava a mocidade
nem que fosse pagando a prestação.
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Zealberto Costa (Maceió - Alagoas).
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Versos em decassílabos sobre um mote enviado por um amigo.

Sábado, 21 de Março de 2009

Duas Contas


Duas Contas
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Teus olhos
São duas contas pequeninas
Qual duas pedras preciosas
Que brilham mais que o luar
São eles
Guias do meu caminho escuro
Cheio de desilusão e dor.
Quisera que eles soubessem
O que representam pra mim,
Fazendo que eu prossiga feliz.
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Ai, amor!
A luz dos teus olhos.
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Para lembrar do tempo em que as composições musicais possuíam letras poéticas. Duas Contas é um clássico do músico e compositor paulista Garoto, alcunha de Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955), que foi gravado por grandes nomes da radiofonia brasileira.

Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Poema de Zealberto

Silêncio
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José Alberto Costa
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Na quietude outonal
do meu claustro interior
o silêncio ecoa
no mármore secular
de colunas imaginárias,
enchendo minh’alma
de doçura infinita,
trazendo a paz
sempre aguardada
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Ando sob a luz do sol,
sem perturbar
o sublime momento
reflexão/ternura.
Palavras ditas
com o coração
também ecoam
no meu silêncio interior
revelando verdades
desconhecidas.
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Copyright © 2009 By José Alberto Costa
All rights reserved.

Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Homenageando NUNES

O jornalista e chargista NUNES – Manoel Nunes Lima – que durante cinqüenta anos enriqueceu as páginas do jornal Gazeta de Alagoas com suas charges inteligentes e crônicas deliciosas foi homenageado por antigos companheiros durante entrevista gravada pela TV Gazeta de Alagoas, para o programa “Alagoas, Terra e Mar”. Estiveram presentes os jornalistas Valmir Calheiros, Arlene Miranda, Cavalcante Barros, Aydete Vianna e este blogueiro. Todos falaram da convivência com o homenageado, contando fatos pitorescos do dia a dia da redação e da vida boêmia inerente à atividade jornalística da época.

Com problemas de saúde o chargista recebeu os amigos e a equipe de TV em sua residência, juntamente com a esposa Morenita e o filho Márcio, para uma agradável tarde de bate-papo cheia de recordações.


Na foto: Aydete Vianna, Cavalcante Barros, Nunes Lima, José Alberto, Arlene Miranda e Valmir Calheiros (o responsável pela homenagem).

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Filosofia do Poeta

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Após três dias fenece
o carnaval que cultuam,
Rei Momo desaparece
mas os bobos continuam.
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O autor desta trova, o poeta Manoel Cícero do Nascimento, natural da cidade de Coqueiro Seco (Alagoas), ao final de cada carnaval costumava escrever uma trova sobre os festejos carnavalescos. Esta foi escrita na década de 60. O poeta faleceu em Maceió no ano de 1982.

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Poema de Lêda Mello

Lêda Mello
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Confins de mim
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Espera um pouco.
Antes, olha nos meus olhos,
dize que me amas!
Depois, achega-te a mim,
toca-me a pele.
Sem pressa,
deixa que as tuas mãos
deslizem pelo meu corpo
e teus dedos, habilmente,
encontrem os vales
da minha sensualidade
e conheças todos os lugares
marcados pela ânsia da minha espera...
E, então, te sentirás homem e amado.
Estarei em ti
e tu estarás em mim...
O tempo marcado
pela eternidade
da nossa entrega...
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Lêda Yara Motta Mello é Terapeuta Holísitca, vive em Arapiraca, onde nasceu e mantém sua Clínica (http://ledayara.terapiaholistica.net/pages/inicial.php), ministrando cursos de Relaxamento e Meditação. Quando bate a inspiração surgem pérolas como o poema acima.

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Poesia de Fernando Pessoa

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Sonho. Não sei quem sou.
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Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.
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Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.
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Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém.
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Não digas nada!
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Não digas nada!. Nem mesmo a verdade.
Há tanta suavidade em nada se dizer.
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer
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Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
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Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888 em Lisboa. Em 1935, no dia 30 de novembro, no Hospital São Luís, em Lisboa, morre Fernando Pessoa. Utilizou vários heterônimos para difundir sua poesia: Alberto Caeiro, Alvaro de Campos, Bernardo Soares e Ricardo Reis. Disse Fernando Pessoa sobre estes personagens: Não há que buscar em quaisquer deles idéias ou sentimentos meus, pois muitos deles exprimem idéias que não aceito, sentimentos que nunca tive. Há simplesmente que os ler como estão, que é, aliás, como se deve ler”.

Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Poesia de Gonzaga Leão

Gonzaga Leão
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A Praça
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Não te chamo a passeio pela praça
porque a praça morreu e está cercada
de muros. Há estranhos operários
trabalhando: em lugar da pá e enxada
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usam feios fuzis e sabres sujos.
E as árvores da praça assassinada
já não podem dar flor nem dar mais fruto
nem mesmo a sombra amiga e desejada.
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Por isso não te chamo para a praça
com este céu de manhã quase noturno
e operários estranhos e fardados.
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Peço-te apenas que me dês a mão
e juntos amassemos nosso pão
que se é feito de amor não sai amargo.
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Soneto três
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Mesmo sabendo os móveis arrumados
cada coisa em seu canto em seu lugar
e podendo livremente caminhar
por toda casa: assim de olhos fechados
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sem em nenhum batente tropeçar
e degrau por degrau subir a escada
saber das portas todas e de cada
janela e da sala de jantar
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e mais localizar mesa e cadeiras
onde fica exatamente a cristaleira
onde está tudo enfim. Mas se da amada
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não sabe onde costuma adormecer
onde costuma sonhar e amanhecer
é não saber da casa. É saber nada.
..
Luiz Gonzaga Leão nasceu em União dos Palmares, Alagoas, em junho de 1929. É advogado e funcionário aposentado do Banco do Brasil. Membro da Academia Alagoana de Letras.
Livros publicados: A Rosa Acontecida - Edições Caeté - Maceió (1957) Mar de Encanto - Edições Caetés – Maceió (1957), Casa Somente Canto Casa Somente Palavra – Edições Escrituras – São Paulo (1986) e Preparação da Manhã, Edições Catavento – Maceió (2005).

Sábado, 31 de Janeiro de 2009

Cidinha Madeiro homenageia Kislanov

Cidinha Madeiro
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Na tela prateada da ilusão
Na realidade onde está você?
Em que cidade você mora?
Em que paisagem, em que país?
Me diz em que lugar, cadê você? Você se lembra? ...
E se perder no labirinto
De outra história
A caravana do deserto
Atravessou meu coração
E eu fui chorando por você
Até os sete mares do sertão
Você se lembra... ?
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Cidinha Madeiro (Maria Aparecida Madeiro), reumatologista, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia/Alagoas, com residência e clínica em Arapiraca (AL), escolheu trecho de bela música de Geraldo Azevedo, para homenagear à memória de seu amigo-irmão jornalista Carlos Zigmund Kislanov (Zig), falecido no Rio de Janeiro, em junho de 2008.

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Poesia de Lêdo Ivo

Lêdo Ivo
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Soneto Puro
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Fique o amor onde está; seu movimento
nas equações marítimas se inspire
para que, feito o mar, não se retire
de verdes áreas de seu vão lamento.

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Seja o amor como a vaga ao vago intento
de ser colhida em mãos; nela se mire
e, fiel ao seu fulcro, não admire
as enganosas rotações do vento.
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Como o centro de tudo, não se afaste
da razão de si mesmo, e se contente
em luzir para o lume que o ensolara.
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Seja o amor como o tempo – não se gaste
e, se gasto, renasça, noite clara
que acolhe a treva, e é clara novamente.
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Acontecimento do Soneto
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A doce sombra dos cancioneiros
em plena juventude encontro abrigo.
Estou farto do tempo, e não consigo
cantar solenemente os derradeiros.
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versos de minha vida, que os primeiros
foram cantados já, mas sem o antigo
acento de pureza ou de perigo
de eternos cantos, nunca passageiros.

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Sôbolos rios que cantando vão
a lírica imortal do degredado
que, estando em Babilônia, quer Sião,
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irei, levando uma mulher comigo,
e serei, mergulhado no passado,
cada vez mais moderno e mais antigo.
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LÊDO IVO nasceu em Maceió (1924), advogado, jornalista, contista, romancista e poeta. Desde 1987 ocupa a Cadeira nº 10 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Rui Barbosa. Vive no Rio de Janeiro desde 1943. De sua vistíssima obra destaco: Ninho de Cobras, A Noite Misteriosa, As Alianças, A Ética da Aventura ou Confissões de um Poeta.

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Edécio Lopes, uma saudade

Edécio Lopes
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“Quero que você lembre de mim
como algo muito seu...”
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O pedido de Edécio Lopes, através de uma de suas mais belas músicas, será sempre atendido pelo povo alagoano que, nas últimas décadas, sempre começava o dia ouvindo o programa “Manhãs Brasileiras” e a sua voz característica, em defesa dos reais valores desta terra. Ele jamais será esquecido seja pela falta que fará ao rádio alagoano, seja pela saudade imensa encravada no coração dos seus amigos e fãs, seja pelas suas músicas maravilhosas.
Há alguns anos, ao ser homenageado pela Assembléia Legislativa, disse com muita propriedade: “Senhores deputados, ilustres convidados, eu amo perdidamente esta terra. E por isso, modéstia a parte, eu mereço este título de cidadão honorário do Estado de Alagoas”. E poucos souberam honrar esse título honorífico tanto quanto ele.
Edécio Lopes Vasconcelos faleceu na madrugada desta quarta-feira, dia 21, aos 75 anos, depois de permanecer em coma por cinco meses, em decorrência de um AVC (Acidente Vascular Cerebral) que o vitimou no dia 13 de agosto de 2008. Com mais de 50 anos de atividades radiofônicas, Edécio era poeta, compositor e deixou três livros publicados: "Vaias & Aplausos" (1984), "A Guisa de Oração" e "Entardecendo" (2008).
Nasceu em Apoti (Glória do Goitá - PE), chegou a Maceió no dia 13 de setembro de 1957, para trabalhar na antiga Rádio Progresso de Alagoas, emissora dos Diários Associados.
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Maria trago-te flores,
do jardim da própria vida.
Com a expressão definida
do maior dos meus amores
são lindas, em suas cores!
De uma cândida pureza
na esplendorosa beleza
dos lírios, cravos e rosas!
De essências olorosas.
Caprichos da natureza!
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Edécio Lopes, poema “Maria trago-te flores...”, do livro “Entardecendo” (Gráfica Graciliano Ramos, Maceió-AL/2008).

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Poesia de Vera Romariz

Vera Romariz
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Sorriso Interino
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Seguro com dedos de casca de ovo
O sorriso interino
Só eu lhe adivinho a vida deslizante
Atrás das cascas (nuvens?)
Que o protegem do tempo das lágrimas
Golpes múltiplos lhe podem quebrar o dorso
Estourando com mãos inábeis
O tempo de gemas
Raras
Escondidas
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Seguro com dedos de casca de ovo
O sorriso interino
Difícil recompô-lo depois de golpes
Fracionado
Em fluidos fragmentos
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Sorriso interino
Belo pois que breve
Frágil pois que leve
Sorrimos tontos de prazeres
Adiados
Dando boas-vindas à itinerante
Alegria.
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VERA ROMARIZ nasceu em Maceió. É Doutora em Letras, professora e pesquisadora, neta do poeta penedense Sabino Romariz (1873-1913). Livros publicados: Quase Pássaro (1986), Campo Minado (1986), Amor aos Cinqüenta (2004) e Película (2008).