quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Poema do JAC

Tragédia urbana
.
Chuva pesada
rasgando nuvens
inundou a noite,
abriu caminhos,
vazou riachos,
desceu encostas,
destruindo sonhos,
levando vidas.
.
O sol encontrou
a menina Estela
suja de lama,
tremendo de frio,
embalando o bebê
que Maria deixou
ao partir sem adeus
na força das águas.

.
Zealberto Costa

(Agosto/2008, em noite de muita chuva)
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Um comentário:

Edna disse...

Zé Alberto
Não tenho o seu talento e sua sensibilidade para escrever poesias lindas.

Então recorro aos livros para ler (e devorar)as que me tocam.

Esta eu acho linda

Charneca em Flor
(Florbela Espanca)

Enche o meu peito, num encanto mago,
O frémito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu bruel,
E já não sou, Amor, Soror Saudade...

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!