quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Poetas alagoanos quase esquecidos (11)

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Antônio Preto
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Geraldino Brasil
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Nestes sonetos vos lembrar eu venho,
um dos heróis anônimos do norte.
O Antônio Preto que sorria à morte.
O Antônio Preto, domador do engenho.
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Domava potros... E na mente o tenho,
domando um potro impetuoso e forte.
Empolgante espetáculo, de sorte
que o prometer narrá-lo, é duro emnpenho.
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Montou. Como, eu não. E os seres broncos
em valas, tocos, entre espnho e troncos,
no descampado e após na capoeira...
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Horas inteiras cavaleiro e potro.
Um procurando dominar o outro,
ficaram entre nuvens de poeira...
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I I
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No engenho, aos dois, ninguém ficou alheio.
Homens e mulheres, velhos e crianças
e até minha mamãe compondo as tranças
que lhe caíam pelo casto seio,
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ao varandão da casa grande veio
e se agitaram as ovelhas mansas
e se agitaram porcos, gordas panças
roçando o chão da confusão em meio.
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Nenhum queria dar-se por vencido.
Mas quando à tarde, pássaro ferido,
o sol surgia ensanguentando a serra...
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Eu vi o potro manso e dominado...
E Antônio nesse, assim, olhado,
como se fosse o deus da minha terra.
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Geraldino Brasil (1926 - 1996), pseudônimo do poeta Geraldo Lopes Ferreira, nasceu no engenho Boa Alegria, município de Atalaia (AL). Procurador Federal do Trabalho mudou-se para a cidade de Recife(PE) em 1951, onde residiu até o final de sua vida. Era casada com a poetisa alagoana Creusa Chaves. Publicou vários livros e teve seu falor reconhecido também fora do Brasil (Colômbia, Argentina e Venezuela) onde influenciou gerações de poetas. Ao concluir o soneto "Antônio Preto", segundo confidenciou ao seu amigo também poeta, Cláudio Antônio Jucá Santos, sentiu a necessidade de fazer um outro, complementando a narrativa do fato. E aí estão as duas joias, segundo a memória fabulosa de Jucá Santos, presidente da Academia Maceioense de Letras.

Um comentário:

Emanuel Lopes Ferreira Galvão disse...

Olá, amigo JAC!

Maravilhoso resgate de tão belos versos. Fiquei encantado!

Parabéns!

Emanuel Galvão