segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Poesia de Gonzaga Leão

Gonzaga Leão
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A Praça
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Não te chamo a passeio pela praça
porque a praça morreu e está cercada
de muros. Há estranhos operários
trabalhando: em lugar da pá e enxada
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usam feios fuzis e sabres sujos.
E as árvores da praça assassinada
já não podem dar flor nem dar mais fruto
nem mesmo a sombra amiga e desejada.
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Por isso não te chamo para a praça
com este céu de manhã quase noturno
e operários estranhos e fardados.
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Peço-te apenas que me dês a mão
e juntos amassemos nosso pão
que se é feito de amor não sai amargo.
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Soneto três
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Mesmo sabendo os móveis arrumados
cada coisa em seu canto em seu lugar
e podendo livremente caminhar
por toda casa: assim de olhos fechados
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sem em nenhum batente tropeçar
e degrau por degrau subir a escada
saber das portas todas e de cada
janela e da sala de jantar
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e mais localizar mesa e cadeiras
onde fica exatamente a cristaleira
onde está tudo enfim. Mas se da amada
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não sabe onde costuma adormecer
onde costuma sonhar e amanhecer
é não saber da casa. É saber nada.
..
Luiz Gonzaga Leão nasceu em União dos Palmares, Alagoas, em junho de 1929. É advogado e funcionário aposentado do Banco do Brasil. Membro da Academia Alagoana de Letras.
Livros publicados: A Rosa Acontecida - Edições Caeté - Maceió (1957) Mar de Encanto - Edições Caetés – Maceió (1957), Casa Somente Canto Casa Somente Palavra – Edições Escrituras – São Paulo (1986) e Preparação da Manhã, Edições Catavento – Maceió (2005).

Um comentário:

Efigênia Coutinho disse...

"Poesia de Gonzaga Leão"
Belíssimos sonetos leio do escritor citado acima, que momento gratificante essa rota neste espaço cultural, meus cumprimentos ao dono deste evento,
com admiração e respeito,
Efigênia Coutinho